Psicologia

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EM BUSCA DE UM ENSINO DE PSICOLOGIA SIGNIFICATIVO PARA FUTUROS PROFESSORES
ALMEIDA, Patrícia C. Albieri de - UNICAMP/UNITAU
AZZI, Roberta Gurgel - UNICAMP
MERCURI, Elisabeth N. G. Silva - UNICAMP
PEREIRA, Marli A. Lucas - UNICAMP/UNITAU
GT: Psicologia da Educação /n.20
Agência Financiadora: Não contou com financiamento.


Discutir o ensino de Psicologia tem sido um desafioconstante em nossa prática como professoras formadoras, e isso motivou a realização do trabalho que ora apresentamos. Assim, o texto que segue está estruturado em três momentos. Primeiramente, uma breve reflexão, que retrata como tem sido compreendida a contribuição da Psicologia na formação docente. Em seguida, os dados e análise de um estudo empírico, e, finalizamos apresentando, com base nos dadose na literatura disponível, uma breve discussão a respeito das perspectivas e desafios da Psicologia para a formação de professores.

Contribuições da Psicologia na formação docente

Entre seus desafios, a Psicologia trata das questões relativas à aprendizagem e ao desenvolvimento humano, e tem representado, na sua trajetória histórica, fonte importante de conhecimento para os educadores quebuscam compreender o fenômeno educativo. E foi como fonte de conhecimento que a Psicologia teve um grande impacto sobre a educação, e tem mantido uma profunda relação com a prática educacional, entretanto nem sempre amistosa. Lima (1990) explica que “[...] esta relação nunca foi harmônica e caracterizou-se, na maior parte das vezes, por ser uma relação assimétrica, na qual a Psicologia tantoassumiu quanto foi considerada portadora de uma autoridade que ultrapassou, evidentemente, os limites de sua competência”. (Op. cit., p.3).
Segundo a autora, os desajustes entre a Psicologia e a Pedagogia não ocorreram sem razões políticas, tendo a Psicologia, em muitas situações, contribuído para “validar posições ideológicas que serviram à marginalização e ao rotulamento de grande parte daspopulações em função de etnia, de classe socioeconômica e de grupo cultural”. (idem, p.3).
Se os desdobramentos da Psicologia estão intimamente relacionados a momentos históricos, podemos dizer que fazer críticas a Psicologia faz-se necessário, porém é preciso analisar a quais questões a Psicologia se propunha responder, considerando-se as condições históricas e culturais em que o conhecimento foiproduzido.
Larocca (1999) e Guerra (2000) reforçam que a crítica ao psicologismo na educação não pode ser anunciada sem se levar em conta as condições históricas e culturais em que se desenvolveu o conhecimento psicológico.
Assim, é preciso esclarecer que a relação entre Educação e Psicologia foi consolidada no quadro da ideologia liberal, em que os problemas sociais são pensados como problemasde cultura individual. Nesse contexto, o indivíduo precisa aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes. Sustenta-se a idéia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais.
Como a psicologia emergiu nesse contexto de afirmação do capitalismo sob a influência do liberalismo, muitas de suas produções deram-se a partir davisão liberal de homem, em que o fenômeno psicológico, segundo Bock (2000), é visto de forma abstrata e naturalizante. Como a ênfase está centrada no indivíduo e na individualidade, despreza-se o determinante social.
A naturalização do homem é uma concepção que só serve aos interesses da ideologia dominante e não ajuda a compreende-lo a partir de sua realidade social e cultural. É imprescindívelque a Psicologia considere o homem em sua concreticidade, ou seja, como ser histórico que, “através do seu trabalho, transforma a natureza, ao mesmo tempo em que transforma a si mesmo. Nesse movimento, a individualidade é forjada nas relações sociais que o homem estabelece no seio da classe social a que pertence e no momento histórico em que vive”. (GOULART, 1989, p. 38)
O psicologismo na...
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