Psicologia organizacional

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  • Publicado : 22 de novembro de 2010
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A Psicologia Organizacional como fonte de questionamento das teorias de organização
As teorias de organização, como qualquer outra teoria, nascem de momentos históricos precisos. No caso restrito das teorias organizacionais é possível dizer que surgem a partir de uma determinada concepção de indivíduo ou de subjetividade, bem como de um determinado estágio do processo produtivo, compreendidoem seus aspectos mais amplos (relações de trabalho, estruturação das empresas, mercado de consumidores e de trabalhadores etc.). Neste sentido, elaborações teóricas são feitas e refeitas tendo em vista não a pertinência meramente epistemológica, mas sim tendo em vista fortes condicionantes práticos e/ou pragmáticos, os quais configuram o espectro de atuação e de abrangência de tais teorias.A psicologia organizacional, antes entendida como psicologia industrial, evolui em sentido compassado com as noções centrais do corpo de crenças do saber psicológico, tais como a própria idéia de subjetividade. Em estágios temporais, pode-se destacar as teorias ditas fusionais, calcadas na Escola de Relações Humanas, cuja meta era integrar o “lado humano” do trabalhador na cadeia produtiva. Nestetexto estarei preocupado em traçar uma linha imaginária entre a modernidade e a pós-modernidade do saber psicológico, somando tudo isso à configuração contemporânea do trabalho e das próprias organizações, pois não haveria nenhum sentido em desconectar esse conjunto de fatores de constituição das teorias de organização e da psicologia organizacional. Assim, em primeiro lugar, vou traçar algumasrápidas características do discurso moderno a propósito das referidas teorias e, em seguida, descrever algumas das principais características da chamada pós-modernidade e do tipo de pensamento que ela procura inaugurar. Em sintonia com isso, vou tentar traçar algumas das novas fronteiras que a psicologia organizacional tem à sua frente, fronteiras que demandam dela novos olhares, novos esforços enovos desafios.
O discurso moderno: a sociedade do trabalho
O período de emergência dos discursos da sociedade do trabalho compreende os séculos XIX e XX. A noção de “sociedade do trabalho” se forma nesse momento. Em que consiste tal noção?
A noção de sociedade do trabalho refere-se à sociedade ocidental erigida sob três pontos principais (Ghiraldelli Jr., 2000). O primeiro é a empresaindustrial privada ou estatal (cujo modelo é a fábrica), que, apartada do esquema familiar de produção (que predominou principalmente na Idade Média), procura organizar a produção a partir de critérios de racionalidade e funcionalidade instrumentais. O segundo ponto é o trabalhador assalariado, o qual se via livre tanto de subserviências aos antigos senhores feudais quanto livre dos meios desubsistência, ou melhor, alienado de tais meios, tendo, como obrigação a venda da sua própria força de trabalho aos detentores do capital. O terceiro elemento é a ética protestante do trabalho, matizada por um espírito de diligência, sobriedade e compromisso com o trabalho. A ética do trabalho não só se legitima como preceitos que põem relevo na necessidade de trabalhar como também se apresenta comofundamento da própria coesão social. Dessa forma, a sociedade do trabalho é aquela em que os homens atribuem valor e sentido ao mundo a partir do trabalho e dos valores e circunstâncias que estejam envolvidos com o trabalho. Daí a grande freqüência de referência ao trabalho pelos partidos políticos desta época. Na sociedade do trabalho os indivíduos reconhecem-se como autênticos indivíduosexatamente quando estão inseridos no trabalho e dele retiram sua sobrevivência, tanto material quanto simbólica. A inserção social se faz pelo trabalho, e o tecido social se mantém oxigenado graças a ele.
Na sociedade do trabalho a individualidade passa a ser tratada de modo a realçar o caráter utilitário das habilidades, além de destacar a natureza humana como essencialmente ativa e produtiva,...
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