Psicofarmacologia

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  • Publicado : 20 de abril de 2010
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Psicofarmacologia

A psicofarmacologia e a análise existencial são duas noções da psiquiatria de hoje. O problema de sua relação deve ser explicitado a partir do conhecimento desta pertença, mas, no entanto, é justamente este que nos faz falta. Com efeito, os psicofarmacologistas e os defensores da análise existencial falam duas línguas diferentes e não se compreendem advindo daí a impressão deque estes dois domínios teriam se encontrado apenas por acaso no interior da psiquiatria sem mesmo se tocarem nem, ainda menos, se acharem ligados por uma relação interna.
O “ser psiquicamente doente” é, entretanto, justamente a ligação entre psicofarmacologia e análise existencial, sendo o objeto de observação destas duas disciplinas. Ambas desejam conhecê-lo no modo essencial de aparecimentode sua doença, a fim de assistir-lhe e, quando possível, curá-lo. Ambas procuram atingir este objetivo por vias diferentes.
A via da psicofarmacologia é clara: considera o doente um organismo que deve ser compreendido biologicamente e explorado por meio dos métodos das ciências naturais, utilizando, para tanto, em primeiro lugar, a indução. Entre os fenômenos que ela encontra, estrutura gruposconforme a similitude de seu aparecimento, coordenando isso por acréscimos sucessivos. É assim que a psiquiatria construiu uma teoria da doença: a psicopatologia. Para atingir este objetivo, ela inicialmente pesquisou quadros clínicos claramente delimitados.
Ao lado de modos de comportamentos idênticos, estava a evolução que, mais do que qualquer outro elemento era significativo; assim, antes detudo, consegue-se compreender as doenças fundadas sobre o psíquico como grupo homogêneo a partir de lesões cerebrais orgânicas objetivas e graves. Em seguida, a partir do grupo restante, ainda muito conseqüente, foram descritas três grandes síndromes designadas com o vocábulo “psicoses endógenas”: maníaco-depressiva, esquizofrênica e epileptóide paroxística.
Esta classificação confere aos esforçossua linha diretora, permitindo atualmente aos medicamentos agir sobre cada uma destas doenças. As novas substâncias psicofarmacológicas – os antidepressivos, os neurolépticos e os antiepilépticos – encontram assim suas indicações. Os hipnóticos clássicos, os sedativos e aquilo que se chama de ansiolíticos podem apenas entrar aqui com restrição. A aplicação clínica dos medicamentospsicofarmacológicos encontra-se assim bem delimitada.
À psicofarmacologia, no entanto, pertence igualmente a farmacologia propriamente dita destas substâncias. Ela explora seu modo de ação sobre as estruturas anatômicas e os processos metabólicos por meio da experimentação no animal e dos métodos bioquímicos. A via da psicofarmacologia a afasta necessariamente do indivíduo doente e sofredor; isso também éconstatado nos simpósios e congressos sobre o tema: no anfiteatro escuro somente aparecem na tela de projeção dados, números, curvas, validades e são discutidas apenas relações recíprocas destes “fatos”. O doente, esquecido, desapareceu. É muito mais difícil descrever o modo de agir da análise existencial. Poder-se-ia dizer que, contrariamente aos esforços da ciência natural, ela recupera o doente doesquecimento em que caiu. Isto é correto, mas há outros métodos que também visam este mesmo objetivo, um dos quais a psicanálise, em seus diferentes desenvolvimentos, que se aproxima desta meta em diversos graus. O caráter específico do modo de agir da análise existencial é muito mais amplo do que qualquer procedimento que se apóia em teorias psicanalíticas. Ela não considera apenas o doente isoladoem sua unicidade, mas o “deixa” (em referência ao sein lassen de Heidegger) em seu próprio mundo. A este mundo pertencem também outros indivíduos e, igualmente, aquele que se ocupa dele como médico e que, ele próprio, com seu próprio mundo, entra em relação com o paciente.
Doente e médico encontram-se assim em um mundo comum, no qual, aliás, cada um dos parceiros se comporta entendendo-se com...
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