Preso a um copo

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 27 (6714 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 28 de junho de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
Alcoolismo: Preso a um copo

RESUMO

Este trabalho propõe uma reflexão da problemática do alcoolismo, revisando a literatura de muitos autores actuais que contribuíram para a explicação deste fenómeno bio-psico-socio-cultural aos níveis conceptual, de intervenção e de prevenção, com maior atenção no estudo de Estela Landeiro, de Março de 2011. Num copo focalizam-se as crenças, mitos,expectativas, dinâmicas intrapsíquicas, factores sociais, culturais, biogenéticos e ambientais conducentes à morbilidade e que podem lançar o rastilho para a adição e fazer sucumbir o supremo destino do indivíduo que o bebe: a auto realização. A importância da intervenção da psicológica clínica e da saúde impõe-se num modelo terapêutico multidisciplinar e é pedra basilar na prevenção. Mais estudos sãosugeridos para relevar a importância do psicólogo clínico no controle e prevenção deste fenómeno, transversal ao homem e ao tempo.

Palavras-chave: alcoolismo; modelos explicativos; intervenção; prevenção.

Alcoolismo: Um foco no copo.

“Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se...”
(Antigo Testamento, Genesis 9:20-21)
A história do consumo de álcooltem uma origem remota e o seu percurso é longo quanto o da humanidade. A fermentação do mel, em 7.000 a.C., traz a primeira bebida alcoolizada – o hidromel; entre 6.000 e 5.000 a.C., o vinho e, mais tarde, a cerveja, pela fermentação da cevada, desbravam novos caminhos entre os homens e o divino. “Pão e cerveja para um dia” é uma expressão datada de 3.000 a.C., referente aos gastos de umafamília asiática. Também a sidra é uma bebida muito apreciada no Egipto (3.000 a.C.) e mais tarde na Grécia (600 a.C.). Os Egípcios já conheciam a destilação em 6.000 a.C., mas o alambique, descoberto na Idade Média (800 d.C.), vem a proporcionar a produção de bebidas com teor de álcool mais forte. O vinho foi endeusado na Grécia de Dionísio e na Roma de Baco, curou maleitas, foi exultado na literatura,nos textos religiosos, nas cerimónias religiosas e pagãs. Os aperitivos, digestivos, cocktails, long drinks, shots... com gin, rum, whisky, licor, cognac, champagne, vinhos de mesa, vinho do Porto... no bar, no restaurante, na taberna ou na discoteca representam uma indústria forte que mobiliza diferentes sectores da vida económica das sociedades permissivas ao seu uso. “Vamos beber um copo!” éhoje a expressão moderna de um convite que é transversal à cultura e à história do homem e do homem social (Landeiro, 2011; Psicologia.PT).
Do uso ao ab-uso, da frequência à dependência.
Na discussão dos fenómenos relacionados com o álcool, os termos “uso”, “abuso”, “tolerância” e “dependência” aparecem frequentemente, sendo importante referir as diferenças que os separam:
Para Scali &Ronzani (2007), o termo “uso de álcool” vem associado a qualquer ingestão de álcool: se for de baixo risco, a sua ingestão em quantidade e frequência não ocasiona problemas relacionados com o álcool, de acordo com as estipulações médicas e legais; o termo “abuso de álcool” é um termo aplicado a qualquer nível de risco; a “tolerância ao álcool” é um termo que implica a necessidade de tomada de dosesmaiores de álcool, para a manutenção do efeito da embriaguês que se alcançou inicialmente; a “dependência do álcool” é um termo indissociado da “tolerância”, pois a dependência será tanto maior, quanto maior for o grau de tolerância ao álcool.
De acordo com o Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool 2010 – 2012, e que adopta os critérios definidos pela OMS de 1992,considera-se um consumo de baixo risco a ingestão de 24 g de álcool no homem e de 16 g na mulher, repartidos por 2 refeições. Vinte e quatro gramas de álcool equivalem a 2 copos padrão (12,5 cl) de vinho tinto a 12º, ou a 3 “imperiais”. No caso da mulher, o baixo risco equivale a um consumo diário de 15 cl de vinho ou “duas imperiais”. Consumos regulares superiores a estas quantidades potenciam...
tracking img