Portugal

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Adalberto Alves

PORTUGAL ECOS DE UM PASSADO ÁRABE

Instituto Camões Colecção Lazúli 1999

Ficha Técnica
Título: Portugal - Ecos de um Passado Árabe Autor: Adalberto Alves Tradutor: Badr Younis Youssef Hassanein Concepção Gráfica da Colecção: Mário Caeiro Na Capa: Gebbs tradicional islâmico, técnica de excisão Criação: Arq. José Alegria Execução: Atelier Darquiterra Edição: InstitutoCamões Impressão e Acabamento: IAG-Artes Gráficas Depósito Legal: n.° 144840/99 ISBN: n.° 972-566-202-4

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ISLÃO, CULTURA PORTUGUESA E SENTIDO ECUMÉNICO
Variadíssimas razões existem para que a realidade islâmica não devesse escapar ao interesse de quem pretenda fazer uma abordagem humanística do mundo contemporâneo. O ecumenismo hoje, apesar de todos os dramas que ainda afligem o homem, vai-selentamente afirmando nas consciências como expressão de um pressentido denominador comum de todas as religiões. Tal ecumenismo deve ir mais longe, e tender a expressarse através da fraternidade entre os seres e as nações. Só o reforço dessa solidariedade essencial, em todos os aspectos e momentos da vida quotidiana, poderá libertar o homem dos perigos que o ameaçam: o pesadelo da guerra, o espectroda fome endémica em tantas regiões do globo, perante a nossa indiferença, e a destruição da natureza. Ora o ecumenismo, se assumido com os olhos do coração e do intelecto, deverá impelir-nos fatalmente ao conhecimento do outro, entendido este como pessoa, religião, cultura ou civilização. Isto pela simples razão de que, utilizando o sentido bíblico, conhecer é amar. Hostilizamos e tememos, naverdade, apenas aquilo que, de todo, desconhecemos. Eis porque o homem de hoje, qualquer que seja a sua nacionalidade, filosofia ou religião, terá do mundo uma visão fragmentária e incompleta se não conhecer, ao menos sumariamente, as grandes linhas de força do mundo islâmico: o Alcorão é, para dezenas de países e milhões de seres, código espiritual e ético e base fundadora das respectivassociedades. Mas esse imperativo de conhecer é tanto mais forte quanto é certo que talvez nenhuma revelação metafísica
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tenha sido mais incompreendida, distorcida e ignorada que o Islão. O comum dos ocidentais, ainda hoje, tomando o todo pela parte, figura-o em conceitos mal avaliados como, por exemplo a jihad, que habitualmente se traduz equivocamente “por guerra santa”. Essa visão preconceituosa, aque não são alheias mistificações históricas e religiosas, levadas a cabo através dos tempos por espíritos perturbados, foi e é causa de imensos ódios e inúmeros sofrimentos. Ora o Islão, na sua intemporalidade e também na sua modernidade, é um credo fraterno. O seu conceito de Ahl alKitab, abraçando os povos das religiões reveladas como irmandade de todo o ser humano na entrega a Deus, bem como aaltura metafísica da vertente mística sufi, são expressão do mais explícito ecumenismo. O Islão não pode ser caracterizado pelo fanatismo oportunista de alguns, tal como o cristianismo não se revela nas fogueiras da Inquisição. Voltando à jihad, que etimologicamente se radica no conceito de “esforço”, uma tradição (hadith) do Profeta, que regressava de uma campanha contra inimigos exteriores,distingue entre a “grande guerra” e a “pequena guerra” privilegiando a primeira, enquanto luta que o homem trava contra as paixões vis da alma, em direcção ao Criador. Diz ela: “Rajana min al-Jihadi-l-Asghar ila-l-Jihadi-lAkbar”, ou seja, “voltamos da pequena guerra para a maior das guerras”. O Islão não pode, pois seria um terrível erro fazê-lo, ser responsabilizado pelos trágicos acidentes, filhosdo desespero e da injustiça, que ocorrem no Mundo Árabe e que enlutam as nossa consciências. Pelo contrário, através da observância do seu código ético, com o afastamento de influências malsãs que interferem na região e fomentam divisões para mais facilmente reinarem, a Umma (comunidade dos crentes)
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saberia por certo encontrar o caminho que conduz aos oásis da paz. Que os cristãos possam...
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