Politica iain mackenzie.

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  • Publicado : 27 de setembro de 2012
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Em setembro de 2007, o recém-empossado Primeiro Ministro britâ-nico, Gordon Brown, manifestou o propósito de intensificar as consultas públicas e de realizar "um novo tipo de política" (Brown, 2007). Afirmou que "a política antiga," baseada no "debate restrito entre o que fazem um Estados e o mercado," estava corroendo os serviços públicos, as co-munidades e as famílias. O governo, dizia ele,requer "a maior amplitu-de de talentos," com abrangência que não possa ser comida por divisões político-partidárias. A nova administração, prosseguiu ele, teria COMO Objetivo criar uma "política de objetivos comuns," que haveria de ultra-passar os limites partidários e, por isso mesmo, de incrementar as ações de base dos cidadãos. Nos dias e semanas que se seguiram ao discurso, manifestaram-selíderes oposicionistas, críticos, cabos eleitorais e politi-queiros, e se pôde constatar, sem ironia alguma, que o debate apresentava moços de política partidária ultrapassada. Ainda que de extraordinário titula houvesse, pessoas interessadas em política que não se limitavam * dissecar os últimos pronunciamentos dos "nossos líderes," logo perce-beram que o novo tipo de política proposto por Brown faziaecoar temas tia história do pensamento político ocidental tão fortemente que se tinha rt Impressão de que o próprio sentido de "novo" estaria comprometido. AANM1, por exemplo, a ideia de que os talentosos deveriam governar para o bem comum tem origem na República de Platão, produzida quatro sé-culos antes de Cristo, documento que se considera a primeira obra de filosofia política na tradiçãoocidental. E mais, a proposta de ampliar e aprofundar a participação pública na ação política perpassa toda a tra-*Nilo cívico-republicana de pensamento político, a qual tem raízes nos tempos de Roma. Da mesma forma, a questão da relação entre Estado e mercado (livre) tem dominado o pensamento político desde o início dos (MIMOS modernos, quando mais não seta porque o seu desenvolvimento históricoparece indicar o que se poderia chamar, por ora, um alto nível de coevolução. A defesa de John Locke do direito natural à propriedade privada, no segundo dos Dois Ensaios sobre o Governo, e o virulento com-bate de Karl Marx aos efeitos alienantes da propriedade privada, ao longo de sua obra, constituem pontos de referência, sobejamente conhecidos, desse prolongado debate Esses exemplos nos fazemrecordar que pensar sobre política não pode confundir-se com dobrar os joelhos aos mais re-centes pronunciamentos políticos. De fato, pensar sobre política é parti-cipar de um diálogo que perpassa mais de dois mil anos. Participar desse diálogo é compreender que a política não se restringe a querelas político--partidárias. Em última análise, procurar entender o que se está dizendo nesse diálogo e nelecontribuir pessoalmente é começar a filosofar sobre política. Assim sendo, o propósito deste livro é simples: encorajá-lo, leitor, a participar desse diálogo da filosofia política. Filosofar sobre política significa pensar além do vaivém cotidiano das opiniões políticas, mas também cabe dizer que a filosofia política pre-cisa manter os pés firmados no solo das questões, movimentos e debatescontemporâneos. Em certo sentido, é essa conexão com acontecimentos que estão ocorrendo e o desejo de entender o movimento constante das dunas da nossa vida coletiva que coloca a política na filosofia política. Muito embora o discurso de Brown se tenha referido (sem disso dar-se (onta?) aos problemas perenes da filosofia política, precisa ser apreciado também como resposta a questões sociais e políticasque teriam deixado perplexas muitas das maiores figuras da história das ideias políticas. A ênfase de Brown no valor intrínseco da comunidade, apesar da rica con-sonância com escritos de autores clássicos, precisa ser entendida também como resposta aos prementes problemas do presente, que resultam de novos fenômenos, como, por exemplo, o multiculturalismo, as mudanças climáticas e o terrorismo...
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