Poetas contemporaneos

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Sentimentos

Índice
Página:
A Escolha…………………………………………………………………3
Poemas:

Esperança
Miguel Torga………..…………………………………………………….4

Inocência
Miguel Torga………………………………………………………………5

Liberdade
Miguel Torga………………………………………………………………6

Ausência
Sophia de Mello Breyner Andresen……………………………………….7
Um dia a solidão
José Gomes Ferreira……………………………………………………….8
Poema do Silêncio
JoséRégio..…………………………………………………………..……9

Ciúmes
Almada de Negreiros…………………………..…………………………11

Loucura
Florbela Espanca……………….…………………………………………12

Ser Poeta
Florbela Espanca.........................................................................................13

Bibliografia…..…………………..………………………………………..14

Letra………...…………….……………………………………………….15

Não há estrelas nocéu.………..….……………………………………….16

Poema…....…….………………………………………………………….17


A Escolha
Os autores foram escolhidos de entre aqueles que já conhecia e dos que me foram indicados por amigos e familiares.
Depois de alguma leitura e pesquisa, escolhi os poemas que mais gostei e acabei por perceber que a maioria deles tinha algo em comum, falam de sentimentos.

Esperança

Tantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz!
Vens às vezes no amor, equase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
Desesperado
Que apenas ouve o eco...
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio de um vinho herético e sagrado.    

Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'

Inocência
Vou aqui como um anjo, e carregado
De crimes!
Com asas de poeta voa-se no céu...
De tudo me redimes,
Penitência
De ser artista!
Nadasei,
Nada valho,
Nada faço,
E abre-se em mim a força deste abraço
Que abarca o mundo!

Tudo amo, admiro e compreendo.
Sou como um sol fecundo
Que adoça e doira, tendo
Calor apenas.
Puro,
Divino
E humano como os outros meus irmãos,
Caminho nesta ingénua confiança
De criança
Que faz milagres a bater as mãos.

Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'

Liberdade
—Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear,enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.   

Miguel Torga, in 'Diário XII'

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Um Dia aSolidão


Um dia, a solidão
- que dor de vergonha! -
levou-me pela mão
para seu baluarte
e disse-me " sonha!
O sonho é a tua lei"

E eu para ali fiquei,
Tão farto de ser eu,
A ouvir o meu coração
Bater em toda a parte,
Nos astros do chão,
Nas pedras do céu.

E eu para ali fiquei
A arrancar a carne das unhas,
Sozinho no meu jardim,
A viver sem testemunhas
Noespelho de mim.

E eu para ali fiquei
Com o mundo a obedecer aos
meus caprichos:
A luz, as flores, os bichos

E o sol enforcado na floresta,
Na alucinação
Duma corda de lava
A baloiçar ao vento da minha alma à solta…

E eu para ali fiquei
- pobre de mim que ignorava
a dor da verdadeira solidão
que é esta! Que é esta!…

Muita gente à minha volta
E eu aos tombos pelasruas,
longe de todos e de mim,
a morrer pelos outros
em barricadas de estrelas e de luas.
José Gomes Ferreira

Poema do Silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e...
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