Pobreza urbana: o caso de salvador

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  • Publicado : 20 de janeiro de 2013
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1 INTRODUÇÃO

A obra de Milton Santos é exaltada pela importância e contribuição que presta não só à Geografia, mas a outras áreas que de seus trabalhos possam valer-se. O presente texto usa como referência uma de suas obras, intitulada Pobreza Urbana, de 1979. Poder-se-ia resenhá-la, porém, mesmo sendo tal ação de grande valia, ultrapassaria em muito a proposta da disciplina à qual seráapresentada. Nesse sentido, o livro em questão é usado como referência principal na construção deste texto, sendo complementado por outras leituras.
Assim, o texto apresenta-se estruturado em três partes com breves abordagens: na primeira, tenta-se definir e entender a pobreza, algo aqui considerado um tanto trabalhoso; na segunda, procura-se identificar possíveis causas da pobreza; e na terceira sãotrazidos alguns aspectos, em nossa cidade, que evidenciam o impacto da relação pobreza versus população – enriquecidos com imagens que revelam tal realidade.

2 TENTANDO DEFINIR E ENTENDER A POBREZA

O que é a pobreza? Defini-la não é uma tarefa fácil, e as definições (tanto as mais antigas quanto as mais contemporâneas) revelam variados pontos de vista, variadas concepções acerca desteassunto. Alguns destes pontos de vista e concepções são considerados superficiais por conter, em sua maioria, abordagens quantitativistas e que visam manipular dados e “mascarar” a realidade.
Para não se restringir à definição do que é pobreza urbana, já que esta trata dos aspectos da pobreza vinculados à urbanização, ou seja, que estão presentes nas cidades (SANTOS, 1979), opta-se por trabalharapenas com o termo pobreza, que permite uma abordagem mais abrangente (tanto nas questões de territórios quanto nas de escala). Mas o que vem a ser, então, a pobreza? Quais autores nos dariam a melhor pista, na tentativa de sua compreensão, seguras e corretas? De certo Milton Santos, referência-base deste texto, nos indicaria quais autores, ou, ficar somente nele seria o suficiente: primeiro, por terdedicado seus estudos a este tema, uma vez que este acreditava que os pobres, “por serem diferentes, abrem um debate novo, às vezes inédito, às vezes silencioso, às vezes ruidoso, com as populações e as coisas já presentes” (SANTOS, 2006, p. 326); e segundo porque esta obra reúne diversos pensadores do assunto, com os quais compartilha e diverge opiniões. Ainda, o autor traz a discussão sobre otema para a realidade dos países subdesenvolvidos, uma de suas principais contribuições sobre a pobreza e dentro da sua área de estudo – a geográfica. Mas a ideia é complementar a obra utilizada.
Buchanan diz que a pobreza implica não somente um estado de privação material, mas também um modo de vida que leva em consideração um conjunto complexo e duradouro de relações e instituições sociais,econômicas, culturais e políticas criadas para encontrar segurança dentro de uma situação insegura (1972 apud SANTOS, 1979, p. 10).
Para Santos (1979) a pobreza deve ir além da pesquisa estatística, buscando situar o homem na sociedade global à qual pertence. Logo, esta não é apenas uma categoria econômica, mas política acima de tudo. É um problema social.
Tal compreensão revela uma concordânciacom o pensamento do autor anteriormente citado, e uma crítica a autores que dão à pobreza tratamento superficial e estatístico. Moore e Lewis (1963; 1969 apud SANTOS, 1979, p. 8) definiram a pobreza em função de uma participação maior ou menor na modernização, obtendo-se uma descrição dela como a incapacidade de satisfazer necessidades de tipo material. Completam esse time Sidney e Beatrice Webb(1911 apud SANTOS, 1979, p. 8), para os quais os pobres seriam aqueles com um poder de compra mais reduzido que o considerado normal para o ambiente em que vivem.
Machado (2007) também fala de um problema existente com a dificuldade em se definir o que é a pobreza, e como isso impacta na formulação e avaliação das políticas públicas que visam combatê-la. Nos remete também, o autor, à associação...
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