Plano collor

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PLANO COLLOR II - SOB O SIGNO DA REAVALIAÇÃO
Maria Aparecida Grender)e de Souza *

A primeira impressão causada pelo anúncio do Plano Collor II foi a de que se retornava, de alguma forma, ao bom senso no País, uma vez que voltavam à cena as questões estruturais a serem enfrentadas quando se objetiva buscar soluções para as diferentes dimensões da crise em que o Brasil se encontra. De fato,somente tratando da retomada do crescimento e, conseqüentemente, da forma de financiar o relançamento da economia, pode-se pensar em controlar a inflação, recuperar salários e estabilizar preços no longo prazo. Porque é nesse processo, onde uma nova frente de investimentos dinamiza o circuito econômico, gerando mais empregos e mais renda — o u onde, em última instância, estão dadas as condições parauma retomada da acumulação de capital — que se podem alterar as regras da distribuição dos ganhos, com a possibilidade de que, via aquecimento do mercado de trabalho, por um lado, os assalariados possam fazer crescer sua participação na renda e, por outro, os setores empresariais possam trocar crescimentos menores em suas margens por aumentos na massa de lucros. Ainda, vale lembrarmos, conforme jáevidenciado pelo Professor Ignacio Rangel, é justamente nas fases em que há crescimento que se verifica queda da inflação no País, o que se constata comparando-se os dados de comportamento do produto e da inflação. Ao mesmo tempo em que retoma as questões estruturais do crescimento e de seu financiamento — o que significa, vale insistirmos, uma substancial alteração no discurso do Governo e queteria seu desdobramento no Projeto de Reconstrução Nacional —, o Plano Collor II define uma série de medidas especificas visando enfrentar o reaquecimento da inflação, acentuado nos meses de dez./9Ü e jan./91 e, sobretudo, manifestando uma clara tendência de aceleração. Efetivamente, essa foi a circunstância definidora do novo plano. Ou seja, a ineficácia da política econômica praticada ao longo dopri-

Economista e Técnica do Banco Central do Brasil, Professora da UNISINOS e membro do Conselho Federal da Economia (COFECON).

meiro ano ' do Governo Collor no' sentido de controlar em definitivo o processo Inflaclônárló, Ineficácia que, se não reconhecida explicitamente — faltou, a nosso ver, a autocrítica indispensável —, se evidencia na necessidade das novas medidas. Ineficácia, poroutro lado, que tem uma face positiva, qual seja, a de encerrar o período da bravata, aquele do "tiro único e certeiro" ou do voluntarlsmo pessoal como decisivo para acabar com a inflação. Ineficácia, ainda, que pode ser relatlvizada se se considerar que o perigo maior, a,hiperlnflação, em seus efeitos gerais sobre a sociedade, foi evitado, embora setores específicos tenham sido submetidos aefeitos semelhantes aos de uma hiperlnflação, como, por exemplo, os desempregados da recessão praticada nesse primeiro ano de Governo, os funcionários públicos federais, com salários congelados por cerca de oito meses e objeto de uma indiscriminada "reforma administrativa", e os apllcadores que não puderam converter seus . cruzados e que, além da impossibilidade concreta de utilizá-los, viram seushaveres financeiros perderem valor relativamente a outros atives—somente com a mudança de correção baseada no IPC e no BTN para a Taxa Referencial de. Juros (TR), definida.pelo Plano Collor II, tais haveres perderam cerca de 25% de seu valor de um dia para o outro. Ineficácia, em todo o caso, que se torna Incontestável, se comparados os resultados obtidos com a meta da "inflação zero" que acompanhava oPlano Collor I. Ineficácia, finalmente, que se manifesta nos principais indicadores econômicos e, sobretudo, . nos sociais, na relação 1990/1989. A partir dessa constatação, impôs-se a necessidade de mudança de rumos, tanto do ponto de vista "filosófico", ou seja, da concepção global da proposta, quanto das medidas de curto, prazo, para o controle da inflação. Entre estas, um novo congelamento,...
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