Pedagogia

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Capítulo

1

A vitória da burguesia
No fim do século XVIII, a burguesia era uma classe em ascensão, movida pelas ideias de rebeldia e liberdade. Seu propósito de renovação da estrutura social coincidia com os ideais de muitos artistas da época, que rejeitavam a expressão racional e regrada do Neoclassicismo. Neste capítulo, você começará a estudar o Romantismo, estilo de época que seestendeu até a metade do século XIX.

Neste capítulo
ƒ As

transformações sociais e econômicas do século XIX. ƒ A nova sensibilidade e suas representações estéticas. ƒ A contestação do Neoclassicismo.

Sua leitura
Os dois textos a seguir são obras românticas. O primeiro é uma pintura do artista francês Delacroix (1798-1863), e o segundo, um trecho do romance Os sofrimentos do jovem Werther, obrado escritor alemão Goethe (1749-1832). Trata-se de um romance epistolar, gênero textual em que a história é contada por meio de cartas. Nele, o protagonista confidencia ao melhor amigo, Wilhelm, sua dramática paixão pela bela Charlotte, que, sendo comprometida, rejeita-o.

Cavalos árabes lutando no estábulo

Delacroix, Eugène. Cavalos árabes lutando no estábulo, 1860. Óleo sobre tela, 64,5 cm3 81 cm. Museu do Louvre, Paris, França. Imagens de cavalos aparecem com muita frequência na pintura romântica, principalmente nas obras de Delacroix e Géricault, dois dos principais representantes do Romantismo francês. Delacroix formou grande parte de seu repertório pela observação de cavalos árabes feita durante uma viagem ao Marrocos. Esse quadro representa uma violenta luta entre dois deles.16

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Os sofrimentos do jovem Werther
Caro Wilhelm, encontro-me na situação daqueles infelizes que se acham possuídos por um espírito maligno. É algo que me acontece às vezes: não se trata de angústia, nem de desejo... É um tumulto interior, desconhecido, que ameaça dilacerar-me o peito, e me aperta a garganta. Ai de mim! ai de mim! Nesses momentos, vagueio por entre as horrendas cenasnoturnas dessa época inimiga dos homens. Ontem à noite, não pude ficar em casa. O degelo chegou de repente. Disseram-me que o rio havia transbordado, que todos os riachos estavam cheios e que, de Wahlheim até aqui, todo o meu querido vale ficara inundado. Eram mais de onze horas quando saí de casa. Que espetáculo assombroso ver, do rochedo, ao luar, as torrentes furiosas invadindo os campos, pradose cercados, e o grande vale formando um só mar sublevado, em meio ao rugir do vento. E quando a lua reapareceu por sobre uma nuvem negra e, diante de mim, as torrentes de águas, com reflexo terrível e magnífico, se entrechocavam, despedaçando-se, percorreu-me, então, um tremor, seguido de um desejo brutal. Ah! Com os braços abertos, debrucei-me sobre o abismo, enquanto me perdia num pensamentoprazeroso: precipitar as minhas dores e os meus sofrimentos na voragem das águas, deixando-me arrastar por aquelas ondas! Oh!... E dizer que não tive coragem de levantar os pés do chão e acabar com todos os meus tormentos! Sinto que minha hora ainda não chegou! Oh, Wilhelm, com que prazer teria renunciado à minha vida de homem para romper as nuvens nesse vento tempestuoso e subverter as ondas! Quãodoloroso foi lançar os olhos para o recanto em que descansara com Lotte, sob um salgueiro, após um passeio num dia de muito calor, e ver que ali também estava inundado. Wilhelm, mal reconheci o salgueiro. “E os seus prados”, pensei, “e o campo em torno da residência de caça!... E nosso caramanchão, como deve ter sido devastado pelas águas devoradoras!” E um raio de sol do passado brilhou em minhaalma, da mesma forma como sonhar com rebanhos, pradarias, honras ou glórias deve iluminar a alma de um prisioneiro. Eu estava lá!... Não me censuro, porque tenho coragem para morrer... Teria... Agora, estou aqui sentado como uma mulher velha, que cata a sua lenha ao longo das cercas e mendiga o pão de porta em porta, a fim de atenuar e prolongar um pouco mais a sua triste e miserável vida....
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