Pascal - existencialismo

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA

Raimundo Oswaldo Teles Neto

DESPROPORÇÃO
O PARADOXO DO HOMEM A PARTIR DE BLAISE PASCAL

Fortaleza
2009

Raimundo Oswaldo Teles Neto

DESPROPORÇÃO
O PARADOXO DO HOMEM A PARTIR DE BLAISE PASCAL

Trabalho apresentado à disciplina Existencialismo, prof. Emanuel.Fortaleza
2009

Introdução

O objetivo desse trabalho é mostrar, a partir o pensamento do filósofo Blaise Pascal, o paradoxo da condição humana. Através de reflexões simples, tiradas de fatos de cotidiano, buscar entender o homem e seus dois extremos: o da precariedade, miserabilidade, e o da eternidade, racionalidade. Além disso, mostrar a ligação entre esses dois estados da naturezahumana, como um é deduzido a partir do outro e que para se entender por completo é necessário levar em conta ambos os aspectos, o da grandeza e o da pequenez que, nesse caso, não se anulam nem se contradizem, mas são como que as duas faces da mesma moeda, se completando, se justificando e formando o homem em sua totalidade. Totalidade essa que tem como principal característica o caráter finito dohomem, sua incompletude, sua necessidade e sentimento de falta.

































Fortaleza
2009

Desproporção

“Se se exalta, humilho-o; se ele se humilha, exalto-o: e contradigo-o sempre, até que ele compreenda que é um monstro incompreensível.”(Pensamentos)

Quem é o homem? Essa é a pergunta que serve como ponto de partida para o projeto de Pascal de fazer as pessoas experimentarem sua condição de desproporção. Para isso, ele não usa de uma visão filosófica ou metafísica do homem, e sim parte de uma visão completamente oposta às formas do pensamento escolástico, tratando o homem de uma forma para ele inato, o matemático. O infinito ea geometria são seu ponto de partida. As formas geométricas, como círculo, parábola, hipérbole; desenvolvem-se em um espaço, por princípio, infinito, portanto sem forma definida. Esse mesmo espaço é caracterizado por ser ilimitadamente divisível e se mover na direção do infinitamente pequeno. A partir dos exemplos matemáticos, Pascal transfere a figura do duplo infinito para o homem, doinfinitamente grande e do infinitamente pequeno, mostrando a sua desproporção.
“Quem se considerar assim admirar-se-á de si mesmo e, considerando-se sustentado na massa que a natureza lhe deu, entre esses dois abismos do infinito e do nada tremerá ao ver essas maravilhas; e creio que a sua curiosidade, transformando-se em admiração, estará mais disposta a contemplá-las em silêncio do que a investigá-lascom presunção. Pois, enfim, que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, tudo em relação ao nada: um meio entre nada e tudo. Infinitamente afastado de compreender os extremos, o fim das coisas e o seu princípio estão para ele invencivelmente ocultos num segredo impenetrável; igualmente incapaz de ver o nada de onde foi tirado e o infinito que o absorve” (Pensamentos)
E, a partir daí,descobre a precariedade de seu estado:
“Não sei quem me pôs no mundo nem o que é o mundo, nem mesmo o que sou. Estou numa ignorância terrível de todas as coisas. Não sei o que é o meu corpo, nem o que são os meus sentidos, nem o que é a minha alma, e até esta parte do meu ser que pensa o que eu digo, refletindo sobre tudo e sobre si própria, não se conhece melhor do que o resto. Vejo-me encerradonestes medonhos espaços do universo e me sinto ligado a um canto da vasta extensão, sem saber porque fui colocado aqui e não em outra parte, nem porque o pouco tempo que me é dado para viver me foi conferido neste período de preferência a outro de toda a eternidade que me precedeu e de toda a que me segue.” (Pensamentos)

O que podemos observar desses dois primeiros passos do projeto de...
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