Paradigmas tenologicos

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PARADIGMAS TECNOLÓGICOS

Paulo B. Tigre Doutor (PhD) em Política Científica e Tecnológica pela University of Sussex – Inglaterra, Professor da UFRJ

1. CICLOS ECONÔMICOS E MUDANÇA TECNOLÓGICA
A ocorrência de ciclos de prosperidade e recessão mundial a cada 40 ou 50 anos tem excitado a curiosidade daqueles que lidam com a questão do desenvolvimento econômico. O descobrimento destas "ondaslongas" é creditado ao economista russo Nicolai Kondratiev
(1)

que, em 1926, publicou estudos

econométricos sobre a evolução dos preços por atacado nos séculos XIX e XX mostrando flutuações que atingiram seus pontos máximos em 1870 e 1920 e mínimos em 1850 e 1895. Precocemente falecido na Sibéria, em plena era stalinista, Kondratiev não teve tempo de explorar as causas deste intrigantefenômeno. Uma interpretação, recentemente popularizada, foi desenvolvida em 1939 naturalizado americano Joseph Schumpeter
(2)

pelo austríaco

que relacionou os períodos de prosperidade à difusão de

inovações-chave no sistema produtivo. O sucesso de empresários inovadores em capturar lucros monopolistas derivados do pioneirismo na introdução de novos produtos e processos é logo imitado por outrosempreendedores. Ao reproduzir as inovações bem sucedidas, os empresários-imitadores geram uma onda de investimentos que ativa a economia, cria novos empregos, e gera prosperidade. À medida que as inovações se difundem e seu consumo se generaliza, há uma tendência de redução das margens de lucro e geração de capacidade ociosa. Conseqüentemente, o investimento se retrai, as empresas reduzem custos,demitem mão de obra e a economia entra em recessão. A alternância entre recessão e prosperidade não depende apenas do surgimento de inovações, mas da criação de condições institucionais adequadas para sua difusão. Neste entremeio ocorre a chamada "destruição criadora" onde as velhas estruturas são sucateadas para permitir um novo ciclo de crescimento. Karl Marx

(1) Ver Tinbergen, J. "KondratievCycles and So-Called Long Waves: The early research" in Freeman, C. (ed) Long Waves in the World Economy, Frances Pinter (Publishers), London, 1983.

ECEX/IE/UFRJ – Curso de Pós-Graduação em Comércio Exterior Paradigmas Tecnológicos [prof. Paulo B. Tigre Estudos em Comércio Exterior Vol. I nº 2 – jan/jun/1997 ( ISSN 1413-7976)]

já havia reconhecido este fenômeno ao descrever, no ManifestoComunista, a economia capitalista como um "turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição" e cunhar, a esse respeito, a famosa frase "tudo que é sólido desmancha no ar". Schumpeter, que respeitava e admirava a obra de Marx, associou os ciclos longos de crescimento às revoluções tecnológicas surgidas na era moderna. Na segunda metade do século XVIII, a economia mundialconheceria seu primeiro grande ciclo de crescimento, a partir da difusão do uso do carvão mineral na produção de ferro e de inovações na maquinaria têxtil, dando origem a revolução industrial. O ciclo de investimentos se esgotou por volta de 1830, período conhecido como "hard times" na história européia. A recessão foi devida principalmente às limitações na escala de produção e transportes, einflexibilidade na localização das manufaturas, nesta época ainda dependentes da energia hidráulica. Embora a energia a vapor já fosse utilizada desde 1712 quando Thomas Newcomen introduziu sua bomba d'água a vapor, a pouca resistência do ferro-gusa disponível para montagem de cilindros e pistões tornava a máquina pouco econômica, já que não podia trabalhar com alta pressão. Estima-se que apenas 1% do valorcalorífero do carvão utilizado nas caldeiras era efetivamente convertido em força. O baixo rendimento da máquina de Newcomen viabilizava sua aplicação somente no bombeamento das águas que alagavam minas de carvão (3). O uso do vapor foi aperfeiçoado pelo mecânico e inventor escocês James Watt que patenteou uma máquina menor e mais eficiente em 1769. Mas foi somente após a introdução de novos...
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