Os impactos sociais e ambientais do uso de carvão vegetal no estado do pará

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  • Publicado : 22 de agosto de 2011
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OS IMPACTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS DO USO DE CARVÃO VEGETAL NO ESTADO DO PARÁ

AUTOR ADEMI ELADIO DE ALENCAR

RESUMO

O carvão vegetal como alternativa energética no Brasil e, em especial do Estado do Pará, tem sido alvo de grandes debates, devido às industrias siderúrgicas utilizarem carvão vegetal como insumo à produção de ferro-gusa, em parte justificado por ser fonte energética de baixocusto. No entanto as relações de trabalho associadas e a forma de produção podem gerar problemas sociais e ambientais.

INTRODUÇÃO

Desde os tempos mais remotos, o Homem utilizou o fogo, a tração animal e a energia gerada dos ventos ou das quedas d’água para atender algumas de suas necessidades básicas. Uma dessas fontes que podem ser consideradas como alternativas às tradicionais(não-renováveis) é o carvão vegetal. No entanto como se verá adiante ele (o carvão) está relacionado a diversos problemas, como o desmatamento, poluição do ar, mão-de-obra escrava, trabalho infantil, doenças respiratórias, além dos gases, vapores de d’água e os líquidos orgânicos que são liberados restando como principal resíduo o alcatrão.

1.0. O USO DE CARVÃO VEGETAL
Considerando que aprodução de carvão vegetal é o mais antigo processo de transformação química para a utilização da madeira. Apesar dos esforços, as instalações existentes no Brasil, voltadas para a transformação da madeira em carvão vegetal são em sua maioria manuseadas por pessoas que por não conhecerem a técnica que permite um maior rendimento produtivo, fazem uso apenas do conhecimento empírico, muitas vezes detransmissão familiar. Se as técnicas de melhor rendimento fossem aplicadas, o resultado seria um carvão de melhor qualidade (poder calorífico e menos cinzas), reduzindo o desperdício de energia que nessa de carbonização (transformação de madeira em carvão), chega a 2,6x106 kcal por tonelada de madeira. Entende-se, portanto, que nos processos convencionais de produção de carvão vegetal, tanto o rendimentoquanto as qualidades físicas e químicas desse produto dependerão não só das características da madeira, como também da habilidade e conhecimento dos carvoejadores.
A importância industrial do carvão vegetal com finalidade energética tem início na década de 20, as primeiras discussões, sobre a viabilidade da grande siderurgia no Brasil e, no bojo dessas discussões, sobre a influência domodelo de siderurgia estrangeira, o confronto do carvão vegetal em relação ao carvão mineral, como redutor e insumo energético na siderurgia. Naquelas discussões, por um lado, o fato de não haver nessa época nenhum grande empreendimento siderúrgico a carvão vegetal nos países industrializados, e por outro, razões ambientais levantadas, tentavam sinalizar a virtual impossibilidade de estabelecer-seuma indústria siderúrgica de porte no Brasil, baseada no carvão vegetal (Gomes apud Medeiros, 2003:366).
A atividade de carvoejamento de matas nativas deriva de duas motivações econômicas: a primeira deriva de uma atividade complementar que é aquela utilizada pelos grandes pecuaristas que ao prepararem o solo para o trabalho de culturas agrícolas ou pastagem utilizam os galhos e resíduos dasarvores que não são comercializadas pelas serrarias para fazerem o carvão reduzindo assim seus custos.
O segundo utiliza a atividade carvoejeira como atividade autônoma principal, por tanto geradora de uma receita de significativa importância econômica para o produtor, bem como absorve a mão-de-obra rural, principalmente na época da seca quando a oportunidade de trabalho se torna mais escassa naRegião.
No momento em que se utiliza o carvão vegetal como fonte de energia no processo de redução de minérios de ferro nas siderúrgicas, (Setor Industrial), percebem-se três razões que justificam a escolha desse produto: primeiro por se tratar de um produto renovável, (desde que sua origem seja de floresta plantada e não de mata nativa como ocorre na maioria das vezes). A segunda razão é...
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