Muda o mundo, muda a geografia

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  • Publicado : 7 de agosto de 2012
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Muda o mundo, muda a Geografia
Os meios de transporte e de comunicação, cada vez mais velozes, estão modificando a "cara" do planeta. Pense neles quando planejar suas aulas.
Vivemos num mundo acelerado. Informações viajam instantaneamente de um canto a outro, produzindo reflexos quase imediatos em locais distantes do globo. Se uma empresa quebra no Sudeste Asiático, no mesmo dia a inquietaçãotoma conta da Bolsa de Valores de São Paulo. Estoura uma guerra no Oriente Médio e em poucas horas surgem manifestações nas ruas de Londres, de Nova York ou do Rio de Janeiro. 

As mercadorias, por sua vez, são jogadas num circuito cada vez mais amplo e veloz de movimento. A laranja colhida em São José do Rio Preto, no interior paulista, em poucos dias vira suco industrializado servido numa mesade restaurante em Chicago, nos Estados Unidos. E o dinheiro se transformou em bits que transitam pelos computadores do planeta e muitas vezes chegam e vão embora sem que ninguém tenha tocado numa nota sequer. 

E as pessoas? Nunca viajaram tanto, seja a trabalho, seja a lazer. Tanto que o turismo se tornou a primeira indústria mundial em volume de negócios. "Somos móveis, passando de uma cidadea outra, de um bairro a outro da megalópole mundial", resume o filósofo francês Pierre Lévy em seu livro A Conexão Planetária. 

A consultora de Geografia Sueli Furlan lembra que o deslocamento sempre esteve presente na história humana. "O homem leva e traz produtos, interage com outras culturas, compete no sistema econômico, luta para ocupar novas regiões." A diferença é que hoje esse"trânsito" ocorre em velocidade e intensidade jamais vistas. E, no rastro, provoca uma grande transformação na organização social, nas paisagens, enfim, no espaço geográfico. 

Qual o seu papel diante disso tudo? Em primeiro lugar, mostrar aos alunos que eles fazem parte desse movimento. Circulam pela cidade de ônibus, de bicicleta, de carro ou de metrô, navegam na internet, compram produtos que vieram delugares distantes. Além disso, é importante ajudá-los a entender como se dá todo esse vai-e-vem, por quais meios ele se realiza e quais são os fatores que o determinam, as tecnologias que o sustentam e as conseqüências de tudo isso. Nesta reportagem, destacamos dois temas que são peças-chave para a compreensão do fenômeno: os meios de transporte e a comunicação. Foram eles que, diminuindo asdistâncias e o tempo para percorrê-las, criaram um mundo cada vez mais veloz e integrado. 

Transportes: encurtando distâncias

O processo de globalização exige o desenvolvimento de meios de transporte cada vez mais rápidos. Para isso é necessário construir estradas e aeroportos. Essas estruturas de apoio, por sua vez, alteram profundamente toda a região à sua volta. O tema, já deu para perceber, éessencial quando se busca compreender as transformações no espaço geográfico. E é exatamente sob essa perspectiva como transformadores do espaço que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) propõem que seja estudado (leia o quadro abaixo).
O que dizem os PCN
■ Os Parâmetros Curriculares Nacionais sugerem estudar os meios de transporte em dois níveis: 

■ Na microescala, o foco são ostransportes urbanos. Os deslocamentos para o trabalho, o lazer e a escola podem mostrar o papel desses meios na vida dos jovens. Com base nisso, pode-se estudar o fluxo de alimentos, serviços e matérias-primas. Também é possível analisar a malha viária das cidades, o papel dos automóveis na definição de valores culturais e os problemas decorrentes disso: poluição, enchentes, impermeabilização dosolo... 

■ Na macroescala, é importante trabalhar as integrações inter-regionais e continentais. Estudar como ferrovias, rodovias e sistemas de navegação aproximam mercados e aceleram o fluxo das pessoas; discutir o sistema de transportes e as políticas públicas e falar da capacidade criadora do homem, que leva à superação de barreiras físicas — como o Eurotúnel, que cruza por baixo da terra os 50...
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