Muamar kadafi

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  • Publicado : 1 de novembro de 2011
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durante os anos 1970 e 1980, o líbio Muammar Kadafi foi um dos principais expoentes do já falido nacionalismo árabe, nos últimos anos o ditador se tornou uma decadente caricatura de si próprio. Os conflitos com o imperialismo ficaram no passado e o país se converteu em uma semicolônia das potências europeias, principalmente da Itália de Berlusconi.

O país se transformou na última década noparaíso das grandes multinacionais do petróleo e empreiteiras, que vão da Shell e BP à brasileira Odebrecht e as construtoras turcas. Não é à toa que o levante contra a ditadura de Kadafi tenha levado nervosismo aos grandes executivos e elevado o preço do petróleo no mercado internacional.

Da nacionalização à entrega
O então capitão Muammar Kadafi subiu ao poder após um golpe militar contra o reiÌdris I, em 1969. Dez anos depois de o país árabe ter descoberto petróleo em seu subsolo, o que o tornou um dos países mais ricos da região. Hoje, a Líbia é o terceiro maior produtor de petróleo do continente africano, responsável por 2% da produção mundial.

Inspirado pelo presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, e o nasserismo, Kadafi põe em prática um pan-arabismo nacionalista, expropria enacionaliza as empresas e petroleiras estrangeiras e desmonta bases militares britânicas e norte-americanas instaladas no país. Ao mesmo tempo, se aproxima de grupos como a Frente Popular pela Libertação da Palestina e oferece apoio até mesmo ao IRA.

Kadafi faz um sistema político que seria um meio termo entre o capitalismo e o socialismo, influenciado pelo islamismo, que batiza de“jamahiriya”, ou “Estado das massas”. Na prática, impõe uma ditadura nacionalista burguesa baseada na articulação com líderes tribais.

A nacionalização e os recursos vindos do petróleo garantiram uma relativa melhoria na vida da população. Por outro lado, os embates com o imperialismo extrapolaram o discurso antiimperialista e descambou em conflitos militares. Em 1986 uma bomba explodiu em uma danceteria deBerlim, na parte ocidental, matando dois soldados norte-americanos. Os EUA acusam o envolvimento da Líbia e o presidente Ronald Reagan ordena o bombardeio de Trípoli e Bengazi, matando 35 pessoas, entre elas a filha adotiva do ditador líbio.

Já em 1988, Kadafi teria articulado um atentado a bomba contra um avião civil na Escócia que matou 270 pessoas. O atentado terrorista desencadeou uma sériede sanções contra o país a partir de 1992, liderado pela ONU.

A guinada
No final dos anos 90, o regime de Kadafi iniciou uma reaproximação com o Ocidente. Em 2003, se responsabilizou formalmente pelo atentado na Escócia e pagou indenização milionária às famílias das vítimas. A ONU pôs fim às sanções e abriu o país ao capital internacional. O imperialismo percebeu que não podia simplesmentedispensar as grandes reservas de petróleo do país.

A partir daí, a Líbia de Kadafi se aproximou aos EUA e à Inglaterra. Em 2004, o então primeiro-ministro Tony Blair assinou um acordo com o ditador chamado de “Acordo no Deserto”, que previa bilhões em contratos de exploração de petróleo no país. Já em 2005 a Líbia promove um leilão de suas reservas petrolíferas, marcando o retorno das empresasnorte-americanas. Embora fosse a Itália quem mais se beneficiasse com a guinada entreguista da ditadura líbia.

Dependência
O petróleo e o gás da Líbia estão nas mãos das multinacionais. Até a Petrobras explora o recurso no país. Mas foi o imperialismo europeu quem avançou sobre as reservas de petróleo. Hoje, quase 80% do petróleo exportado pelo país vão para o continente. Desses, 32% vão sópara a Itália. Segundo a TV árabe Al Jazeera, a petrolífera italiana Eni operava 13 campos de gás e petróleo na Líbia, cuja produção chegava a 306 mil barris por dia.

Como contrapartida, o fundo soberano do país, o Libyan Investiment Authority, formado pelos recursos da venda do petróleo, é investido na Itália. Cerca de 65 bilhões de dólares da Líbia estão em ações no país de Berlusconi,...
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