Movimentos sociais na bahia oitocentista

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Marcelo Nunes Rocha
Graduando em História pela UNEB.

MOVIMENTOS SOCIAIS NA BAHIA OITOCENTISTA:

RESUMO
O presente estudo tem por objetivo discutir os principais movimentos sociais e políticos ocorridos na Bahia ao longo do século XIX, especificamente em sua capital Salvador, e no recôncavo açucareiro, privilegiando a atuação das classes subalternas (escravos e libertos), através de suaresistência e sentimentos de identidade regional e nacional.

ABSTRACT
The present study aims to discuss the major social and political movements that occurred in Bahia during the nineteenth century, specifically in its capital Salvador, and sugar in hollow, emphasizing the role of the subaltern classes (slaves and freedmen), through its resistance and feelings of regional identity andnational levels.

PALAVRAS CHAVE
Século XIX, escravidão, resistência, economia moral, Bahia.

KEY WORDS
Nineteenth century, slavery, resistance, moral economy, Bahia.

AÇUCAROCRACIA E REBELIÃO NO RECÔNCAVO

A segunda metade do século XVIII é marcada por profundas transformações na história, que assinalam a crise do Antigo Regime europeu e de seu desdobramento na América, o Antigo SistemaColonial. É nesse contexto global de profundas transformações macroestruturais que terá inicio na Bahia um longo período de revoltas e rebeliões, que se transformariam em uma verdadeira tradição rebelde através da perpetuação desses movimentos ao longo de quase todo o século XIX, é esse oitocentos efervescente o foco dessa analise. Como a maioria desses movimentos foi levada a cabo pelas maioriassubalternas negras (africanos escravos e libertos), dedicarei – me a abordar movimentos com esse caráter, a começar por algumas rebeliões escravas nos engenhos do recôncavo, que por estarem mais ou menos isoladas na zona rural tiveram uma menor repercussão do ponto de vista da imprensa e das instituições repressivas em relação às revoltas de caráter urbano, como a greve negra de 1857, a conspiraçãoMalê em 1835, e a motim contra a carestia da farinha em 1858.
As rebeliões ocorridas no recôncavo durante a primeira metade do século XIX, não podem sem explicadas sem um pequeno recuo temporal que nos esclareça seu contexto conjuntural. Nas ultimas décadas do século XVIII a expansão da economia açucareira brasileira, viabilizada pelo fim do fornecimento haitiano desse produto após a revolução,proporcionou uma subida vertiginosa na quantidade de engenhos, e consequentemente na demanda de mão de obra escrava africana. Essa monocultura para exportação foi levada a cabo à custa da intensificação do trabalho escravo e da perca de espaço para a produção de alimentos, em outras palavras, os escravo passaram a trabalhar mais e se alimentar pior.
Nos primeiros anos do século XIX, medidasrepressivas contra os escravos de Salvador foram adotadas pelo então governador da capitania baiana, o conde da Ponte, que decidiu pela aplicação das medidas também no recôncavo. Apesar disso, em 1909 aconteceria uma rebelião nas imediações de Nazaré das Farinhas, propiciada por escravos hauçás fugidos de Salvador e outras áreas do Recôncavo que se aquilombaram nas margens do Rio da Prata. Os rebeldesaparentemente estavam em busca de armas, munição e alimentos, e apesar de estarem em grande número (cerca de trezentos) foram obrigados a recuar devido ao mau planejamento do ataque, foram completamente derrotados dois dias depois por milícias locais e tropas enviadas da capital.
Após o ataque a Nazaré as medidas de coerção da população escrava foram rigidamente intensificadas, com direito atoque de recolher e proibição de “batuques e danças”. Após a morte do conte da Ponte, assumiu seu posto o conde de Arcos, que apesar de possuir ideias bem mais tolerantes que seu predecessor em relação aos escravos, não conseguiu fazer cessar as revoltas negras. Em fevereiro de 1814 cerca de 250 escravos atacaram armações pesqueiras em Itapoam, matando muita gente e incendiando redes de pesca e...
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