Modo de vida dos escravos urbanos

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1063 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 21 de março de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
MODO DE VIDA DOS ESCRAVOS URBANOS:

A escravidão urbana na cidade do Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX foi diferente da realidade vivida por grande parte dos escravos da zona rural.
Os cativos urbanos moravam nas casas dos senhores, dormiam no chão, sótãos ou porões. Outros residiam longe dos proprietários em casas alugadas, casebres, cortiços. Era ochamado “morar sobre si”, isto é, arcavam com suas despesas.
Essa escravidão caracterizava-se por um grande número de proprietários, com cerca de dois ou três escravos. O que definiu onde o escravo morou foi a relação estabelecida com o seu proprietário, de acordo com a situação econômica e o espaço disponível na casa do senhor.
Na cidade, os senhores colocavam osescravos ao ganho, exercendo funções de barbeiros, sapateiros artesãos, trabalhos braçais e até tarefas domésticas. Em algumas situações, passavam dias fora de casa trabalhando, e, após o período combinado com o senhor, retornavam com o dinheiro.
Haviam donos de cativos que a renda da casa era patrocinada pelo trabalho do escravo, principalmente nasfamílias mais pobres ou quando os donos eram mulheres ou viúvas.
No centro da cidade existiam casas de sociabilidades que, muitas vezes, serviam de moradia.
No ganho de rua, principalmente através do pequeno comércio, a mulher negra ocupou lugar destacado no mercado de trabalho urbano. Encontramos tanto mulheres escravas colocadas no mercado de trabalho por seus senhores,quanto mulheres negras livres e libertas, que lutavam para garantir seu sustento e de seus filhos.
As escravas ganhadeiras, como eram chamadas, davam, por obrigação, aos seus senhores uma quantia pré-estabelecida ; essa negociação era pactuada por meio de um contrato informal acertado entre as partes. O que excedesse do valor combinado ficava de posse da escrava, que podia poupar para acompra de sua carta de alforria, ou para usar em gastos pessoais. Esse contrato era respeitado pelos senhores.
A renda auferida com escravos no ganho variava de acordo com a ocupação e o sexo. As escravas de ganho podiam ou não residir na cãs dos senhores, porém, as mesmas preferiam o “morar sobre si”, visto que, sentiam-se mais livres.
A tarefa de vendedeiraexigia uma espécie de faro para o negócio, segundo observação de Maria Odila no seu estudo sobre as mulheres em São Paulo. Essa experiência em vendas as africanas já traziam do seu país de origem, ou seja, a África.

MODERNIZAÇÃO URBANÍSTICA:
Nas últimas décadas do século XIX e início do século XX, o Rio de Janeiro passou por uma política de intervenção do poder público sobre a vida dossetores populares da cidade, efetuando medidas que, ao intervirem decisivamente em questões de moradia e de higiene, remodelaram profundamente a cidade e forjaram alguns de seus aspectos sociais em evidência hoje, como as favelas.
Visando garantir o domínio português sobre o território até a primeira década do século XX, o Rio manteve, sobretudo em sua área central, uma aparênciacolonial; ruas estreitas, muitas construções da época da Colônia. Ao mesmo tempo, doenças já antigas como a febre amarela e a varíola, periodicamente assolavam a cidade, fenômeno estimulado pelo forte aumento demográfico. Ao mesmo tempo em que o Rio se urbanizava mais, desenvolvia-se entre as camadas próximas ao poder e aos meios mais abastados da cidade (empresários, políticos), uma ideologia dahigiene, utilizada como fator pressão sobre as autoridades visando a instituição de medias que levassem ao saneamento da cidade e a consequente extinção das grandes epidemias. Tais medidas articuladas com idéias de remodelação urbana importadas da Europa, voltavam-se também contra as moradias dos pobres, sobretudo aquelas situadas na área central da cidade, em locais hoje desaparecidos, como o...
tracking img