Modernidade e identidade

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MASSON, G. Políticas de formação de professores: as influências do neopragmatismo da agenda pós-moderna. 2009, 245 f. Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.



CAPÍTULO 2




AGENDA PÓS-MODERNA: A IDEOLOGIA APOLOGÉTICA DO CAPITAL E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃOToda ideologia, entretanto, uma vez que surge, desenvolve-se em ligação com a base material das idéias existentes, desenvolvendo-a e transformando-a por sua vez; se não fosse assim, não seria uma ideologia, isto é, um trabalho sobre idéias conhecidas como entidades dotadas de substância própria, com um desenvolvimento independente e submetidas tão-somente às suas próprias leis.(Karl Marx)

Na modernidade, a ênfase na razão e no aprimoramento do conhecimento pretendeu avançar no domínio da natureza como forma de contribuir para o progresso da sociedade, por isso, nesse período a educação teve um papel bastante relevante. Goergen (2005, p.59) afirma que

a educação, antes destinada a aprimorar a conformidade do ser humano com osdesígnios divinos, passa a ser concebida como um instrumento de aprimoramento de uma racionalidade que seja capaz de, desvendando os segredos da natureza tanto humana quanto material, alcançar uma vida melhor para o ser humano aqui mesmo, na Terra.

Segundo este autor, o projeto de emancipação do homem frente à natureza demandava a democratização do conhecimento por meio de estratégiaseducativas. O projeto pedagógico defendido pelos iluministas buscava aperfeiçoar a razão e universalizar determinados ideais, como a igualdade e a liberdade. O ideal de que a razão transformaria o homem em cidadão emancipado e livre transformou-se num processo de submissão à ordem burguesa e às regras do mercado. Isso ocasionou uma deslegitimação das instituições da modernidade, dentre elas a escola(GOERGEN, 2005, p.60-61). A chamada “crise do marxismo”, especialmente pela queda do socialismo real, contribuiu para a crítica contra a razão em geral. “Por esse motivo, a concepção de um sujeito revolucionário deve dar lugar a uma ‘nova’ forma de pensar as transformações sociais a partir de uma pluralidade de sujeitos sociais igualmente importantes” (EVANGELISTA, 2002, p.19). Essa nova forma de pensarfundamentou-se na relativização de todo o conhecimento, na impossibilidade cognoscitiva de compreensão do real como totalidade. “A realidade deixou de ser a referência para a produção do conhecimento. A ‘representação simbólica’ do real ocupa o lugar da chamada ‘realidade objetiva’” (EVANGELISTA, 2002, p.25).
A agenda pós-moderna é disseminada no contexto da denominada “crise de paradigmas”centrada, sobretudo, na crítica às metalinguagens. O marxismo torna-se alvo central dos pós-modernos (não-marxistas e ex-marxistas) num embate que não se distancia de uma abordagem maniqueísta.
Um exemplo disso é a afirmação de Bell (1980, p.327) de que a era da ideologia terminara. Diz ele: “encontramos assim, no fim da década de 1950, um hiato perturbador. No Ocidente, entre os intelectuais, asvelhas paixões perderam o ímpeto.” Novos interesses, porém, surgem entre os intelectuais, especialmente os franceses: a fluidez, a contingência, a retórica feminista, étnica, sexual, ecológica (menos a classista), o efêmero, a onipotência tecnológica, o cotidiano localista.
É nesse contexto que passam a se consolidar os principais fundamentos da agenda pós-moderna, que provocam profundasrepercussões no campo educacional como um todo. Essa agenda não é tomada, no presente estudo, como um mero diagnóstico do espírito da época atual. Ela representa uma ideologia que legitima um conjunto de mudanças na sociedade.
A percepção da ideologia, em Marx, é a de falsa consciência ou consciência invertida. O autor considerava as teorizações de sua época como interpretações falsas, já que...
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