Michel foucault. a verdade e as formas jurídicas. 2 ed. rio de janeiro: nau

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Matheus
Direito Noturno Turma A |

Referencia:
MICHEL FOUCAULT. A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS. 2 Ed. Rio de Janeiro: NAU
Editora, 2001.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE Católica - DEPARTAMENTO DE LETRAS

“O que gostaria de dizer-lhes nestas conferências são coisas possivelmente inexatas, falsas, errôneas, que apresentarei a título de hipótese de trabalho; hipótese detrabalho para um trabalho futuro...”

“Tentarei apresentar lhes o que no fundo é o ponto de convergência de três ou quatro séries de pesquisas existentes, já exploradas, já inventariadas, para confrontá-las e reuni-las em uma espécie de pesquisa, não digo original, mas pelo menos, renovadora.”

“Em primeiro lugar, uma pesquisa propriamente histórica, ou seja: como se puderam formar domínios desaber a partir de práticas sociais? A questão é a seguinte: existe uma tendência que poderíamos chamar, um tanto ironicamente, de marxismo acadêmico, que consiste em procurar deque maneira as condições econômicas de existência podem encontrar na consciência dos homens o seu reflexo e expressão. Parece-me que essa forma de análise, tradicional no marxismo universitário da França e da Europa,apresenta um defeito muito grave: o de supor, no fundo, que o sujeito humano, o sujeito de conhecimento, as próprias formas do conhecimento são de certo modo dados prévia e definitivamente, e que as condições econômicas, sociais e políticas da existência não fazem mais do que depositar-se ou imprimir-se neste sujeito definitivamente dado.”

“O segundo eixo de pesquisa é um eixo metodológico, quepoderíamos chamar de análise dos discursos. Ainda aqui existe, parece-me, em uma tradição recente, mas já aceita nas universidades européias, uma tendência a tratar o discurso como um conjunto de fatos lingüísticos ligados entre si
por regras sintáticas de construção.”

“Enfim, o terceiro eixo de pesquisa que lhes proponho, e que vai definir, por seu encontro com os dois primeiros, o ponto deconvergência em que me situo, consistiria em uma reelaboração da teoria do sujeito. Essa teoria foi profundamente modificada e renovada, ao longo dos últimos anos, por um certo número de teorias ou, ainda mais seriamente, por um certo número de práticas, entre as quais, é claro, a psicanálise se situa em primeiro plano. A psicanálise foi certamente a prática e a teoria que reavaliou da maneira maisfundamental.”

“Nesse texto, extremamente rico e difícil, deixarei de lado várias coisas, até mesmo, e, sobretudo, a célebre e difícil frase: “Foi o instante da maior mentira”. Considerarei inicialmente, e de bom grado, a insolência, a desenvoltura de Nietzsche ao dizer que o conhecimento foi inventado sobre um astro e em um determinado momento. Falo de insolência, nesse texto de Nietzsche, porquenão devemos esquecer que em 1873 esta mos, senão em pleno kantismo, pelo menos, em pleno neokantismo. E a idéia de que o tempo e o espaço podem preexistir ao conhecimento, a idéia de que o tempo e o espaço não são formas do conhecimento, mas, pelo contrário, espécie de rochas primitivas sobre as quais o conhecimento vem se fixar, é para a época absolutamente inadmissível.”

“Efeito desuperfície, não delineado de antemão na natureza humana, o conhecimento vem atuar diante dos instintos, acima deles, no meio deles; ele os comprime, traduz um certo estado de tensão ou de apaziguamento entre os instintos. Mas não se pode deduzir o conhecimento, de maneira analítica segundo uma espécie de derivação natural. Não se pode, de modo necessário,
Deduzi-lo dos próprios instintos, O conheci mento,no fundo, não faz parte da natureza humana. É a luta, o combate, o resultado do combate e consequentemente o risco e o acaso que vão dar lugar ao conhecimento. O conhecimento não é instintivo, é contra-instintivo, assim como ele não é natural, é contranatural.”

“Retomo agora meu ponto de partida. Em uma certa concepção que o meio universitário faz do marxismo ou em uma certa concepção do...
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