Michel foucault e a modernidade: a emergência do estado liberal e a

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 8 (1791 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 24 de agosto de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Michel Foucault e a Modernidade: a Emergência do Estado Liberal e a Instauração da Biopolítica
Fernando Danner1, Nythamar Fernandes de Oliveira2

Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Faculdade de Ciências Humanas, PUCRS.

Resumo

A constituição do Estado moderno, que é o Estado liberal, com a gênese e o desenvolvimento das novas relações de produção capitalistas, leva à instauração daanátomopolítica disciplinar e da biopolítica normativa enquanto procedimentos institucionais de modelagem do indivíduo e de gestão da coletividade; em suma, de formatação do indivíduo e de administração da população. Nesse sentido, as sociedades modernas serão caracterizadas, por Foucault, como sociedades essencialmente disciplinares e normativas, na medida em que o desenvolvimento do indivíduo eda sociabilidade se dá a partir dos condicionamentos do panóptico, entendido enquanto o modelo basilar a partir do qual se dá a gênese deste indivíduo e desta população moderna. A questão principal, segundo Foucault, está em que a instauração da biopolítica moderna não pode ser dissociada da emergência do Estado liberal, que foi – e é – o grande idealizador das novas relações de produçãocapitalistas que tiveram sua gênese e seu desenvolvimento a partir da modernidade. Há, portanto, uma ligação intrínseca entre o Estado liberal moderno, a gênese e o desenvolvimento das relações de produção capitalistas e a instauração da biopolítica.

Introdução O objetivo deste trabalho é demonstrar que o Estado moderno é um estado altamente disciplinador e normativo, na medida em que tanto odesenvolvimento de cada indivíduo como da sociedade são condicionados pelo dispositivo panóptico, que é o modelo basilar dessa sociedade. Em Foucault, dizer que a sociedade moderna é altamente disciplinadora e normativa significa que o indivíduo é capturado em uma rede de poder que o torna útil e dócil aos interesses do sistema de produção capitalista. Foucault diagnostica que a anátomopolítica, agindo nocorpo dos indivíduos, no homem-corpo, e a biopolítica, agindo no homem
1 2

Doutorando em Filosofia pela PUCRS (Bolsista). Doutor em Filosofia (Orientador do Trabalho) e Professor do PPG de Filosofia da PUCRS.

enquanto ser vivo, no homem-espécie, forma, em última instância, dois mecanismos de poder que serviram de suporte para o desenvolvimento e a manutenção da hegemonia capitalista.Metodologia A metodologia utilizada para a realização do trabalho (ainda em andamento) consiste na leitura e no fichamento das obras de Michel Foucault e de uma bibliografia secundária (comentadores) em relação ao tema investigado.

Resultados e Discussões 1. Em Foucault, o Estado moderno é entendido como um estado absolutamente disciplinar e normalizador; 2. O panóptico, idealizado por JeremyBentham no século XIX, é um mecanismo de poder que garante o funcionamento permanente e eficiente dessa tecnologia de controle; 3. A anátomo-política e a biopolítica foram dois mecanismos de poder inventados pela sociedade moderna para garantir o desenvolvimento e a manutenção das relações capitalistas então em pleno desenvolvimento.

Conclusão Portanto, a anátomo-política (disciplinas) e abiopolítica foram dois mecanismos de poder colocados em funcionamento para garantir o controle da população e sua adequação ao processo de produção capitalista então em pleno desenvolvimento. Centrada no corpo dos indivíduos, as disciplinas realizam uma verdadeira política das coerções, ou seja, um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos,cujo principal objetivo é o adestramento completo desse mesmo indivíduo, a ampliação de suas aptidões, a extorsão completa de suas forças, o crescimento de sua docilidade e utilidade, etc. Os indivíduos são, assim, capturados em uma maquinaria do poder que os esquadrinha, o desarticula e o recompõe. As disciplinas são, portanto, “uma anatomia política do detalhe” (FOUCAULT, 1987, p. 120); nada,...
tracking img