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* RESUMO
Este texto busca traçar uma história da colocação da subjetividade como objeto para as várias psicologias ao longo do século XX. Este conceito nasce no campo da filosofia do conhecimento migrando no final do século XIX para a psicanálise, de onde passa para os domínios da psicologia ganhando um tratamentohistórico, social e político no final do século XX, apontando, a partir de então, para uma problematização dos processos de singularização como foco de estudo das psicologias contemporâneas.
Palavras-Chave: subjetividade; singularidade; psicologia; Michel Foucault.

Dizer, simplesmente, que o "homem" é objeto da ciência psicológica ou das várias psicologias não é suficiente, porque esta entidadegenérica, em princípio, é objeto comum a todas as ditas "ciências humanas" dedicadas ao seu estudo. Resta entender como esta disciplina desenha a partir desta abstração genérica seus sujeitos concretos, entender como são construídos os objetos neste campo, além de caracterizar o que singulariza o olhar das psicologias entre as ciências humanas: este moderno olhar sobre o "psicológico".
Numa primeiraaproximação, talvez se possa tributar a especificidade das psicologias a uma suposta "descoberta" do sujeito psicológico; melhor, ao nascimento deste sujeito nos domínios do discurso ocidental moderno, científico, ou à sua emergência como figura correlata deste discurso, considerando que esta era uma figura inexistente na cultura ocidental antes do surgimento da psicologia científica na passagem doséculo XIX ao XX.
Mas, tratar do nascimento de um sujeito nos domínios da psicologia implica falar da sua colocação como objeto para um discurso científico socialmente autorizado a enunciar verdades a respeito de instâncias psicológicas que compõem este sujeito: o psiquismo, a cognição, a "mente", a consciência, a identidade, o self; mas também, as percepções, as interpretações, e uma certadimensão "intrapsíquica", das emoções, do desejo, do inconsciente – o "reino da subjetividade". Implica, portanto, enunciar o "psicológico" objetivando tais instâncias: construindo-as como "realidades psíquicas", universalizando-as, substancializando-as e naturalizando-as, ancorando-as nas objetividades do corpo e da natureza, bem ao estilo do modelo de ciência da época.
Suspeitando de taisnaturalizações deve-se, contemporaneamente, colocar em questão a sua produção histórica em jogos de verdade, tomando-as como figuras de um discurso/prática especializado não apenas no conhecimento como também em intervenções sobre o "psicológico". Em seu livro "A invenção do psicológico", Figueiredo (1994) trata da produção histórica desta dimensão de existência subjetiva ligada aos jogos do conhecimentomoderno, que designa um campo de experiências do sujeito, apontando que antes do nascimento das psicologias a experiência psicológica não existia, bem como não existiam a própria materialidade da "substância psíquica", a existência psicológica e a percepção de si mesmo como ente subjetivo, que dão forma ao campo de experiências do sujeito moderno, compondo sensações de privacidade e intimidade queele vivencia como "reais" e "naturais".
Ainda, conforme o mesmo autor, alguns acontecimentos sociais constituem condições históricas para o nascimento deste sujeito psicológico remetido a uma instância de subjetividade2, correlativamente ao surgimento de um discurso psicológico na modernidade: a emergência do humanismo renascentista nas artes e na filosofia dos séculos XIV e XV; a reformapastoral da Igreja Católica no século XVI; e o centramento da cultura moderna na figura do "homem" a partir do século XVII com o Iluminismo, resultando numa recorrente problematização moderna do sujeito na filosofia, nas ciências, mas também na vida cotidiana.
Estes acontecimentos são fundamentais para o nascimento de um conhecimento psicológico de cunho científico justamente porque demonstram...
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