Melanie klein - estilo e pensamento

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Melanie Klein – Estilo e pensamento
Cap. 4: Pequena reconstituição teórica da história dos sistemas kleinianos
A década de 1930 e as questões do conhecimento e da inibição intelectual
p. 59-60: “(...) a perspectiva e o estilo kleinianos revelam a importância por ela conferida à violência dos instintos, das emoções e dos conflitos mais precoces entre forças antagônicas. Uma intensidade deafetos e impulsos desproporcional à capacidade de contenção e organização do psiquismo infantil. (...) Klein fala dessa hybris [ruptura da “justa medida”] por excelência que é a voracidade presente no dinamismo oral, anal e fálico. A voracidade, na sua dimensão propriamente oral, se expressa por meio das fantasias de sucção vampiresca e de incorporação oral do objeto de amor. Em sua manifestaçãosádico-anal, a voracidade se expressa pelo excesso de possessividade, do desejo de controle e completo domínio muscular sobre o objeto – que leva o dinamismo esfincteriano à fantasia de estreitar e estrangular o objeto. (...)”
- voracidade oral (vampiresco): incorporação oral do objeto de amor
- voracidade sádico-anal: possessividade, desejo de controle e domínio sobre o objeto – estreitar eestrangular o objeto.
- 1927: “Tendências criminosas em crianças normais”
p. 60: “(...) a violência pulsional sofre uma inflexão “sobre a própria pessoa”, originando o que ela veio a chamar de um superego precoce, (...) Esse superego pulsional é uma concepção que envolve a noção de que as primeiras formas de contrapor-se a certas moções do id que, dispostas umas contra as outras, criam essa primeiraforma de “interdição”. (...)”
p. 60-61: “Ao começar suas observações analíticas, Melanie Klein fora atraída pelo problema da inibição intelectual, ligada pelo avesso, à curiosidade e ao desejo de conhecer. (...)[pulsão de saber ligada à sexualidade] todo ato de conhecer pressupõe uma certa cota de “domínio” sobre o objeto a ser conhecido (...) Há sempre alguma violência no exercício do domínio,o que pode se desdobrar e sublimar na forma de conhecimento. Mesmo sublimada, contudo, há uma violência intrínseca ao ato de conhecer.”
p. 61: “(...) nas crianças que apresentavam inibição intelectual e falta de curiosidade, o sadismo infantil não havia sido suficientemente tolerado para que pudesse vir a transformar-se, por meio de sublimações, em pulsão de saber. Essas crianças não tinhampodido viver com a liberdade necessária a emergência de suas pulsões de domínio, inicialmente pré-sexuais. (...) quando a repressão abatia-se muito cedo sobre o sadismo infantil, essas preciosas energias sexuais já não podiam mais ser aproveitadas pela sublimação de forma a transformar-se em curiosidade e desejo de saber.”
p. 62: “(...) Ela [MK] não só aceitava a noção de pulsão de morte (...) comotinha necessidade de separar nitidamente a pulsão de morte das pulsões sexuais, pois precisava metodologicamente do dualismo pulsional, ou seja, de dois princípios claramente opostos para dar fundamento teórico ao dinamismo psíquico, (...)”
- pulsões libidinais (“lei da cultura e do social” – momento de reconhecimento do objeto como um outro sujeito desejante: relação de objeto total) X pulsãode morte (“lei da selva” – objeto parcial, algo a ser controlado e submetido: relação de objeto parcial): dualismo pulsional, fundamento teórico do dinamismo psíquico (conflito!)
p. 62: “(...) Suas observações clínicas a encaminharam a dar uma ênfase ao modo de relação das etapas pré-genitais, quando ainda não existe a capacidade de cuidar e preocupar-se com o destino do “outro”, que, aliás,ainda não é sequer reconhecido em sua existência autônoma e separada. Não podendo reconhecer direito as necessidades ou desejos do objeto, este acaba sendo apenas algo a ser consumido e, portanto, destruído, ou algo a ser controlado e submetido. (...)”
p. 63: “Essa dualidade “lei da selva” – “lei da cultura” reaparece sempre que se fala em complexo de Édipo. Há em toda a psicanálise uma constante...
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