Media fandom e merchandising

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  • Publicado : 6 de março de 2013
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Introdução
Poderia fazer este trabalho focando-me mais no cinema, mas creio que é mais interessante observar o crescimento e a força que hoje tem a televisão como veiculo para criação e sustentabilização de enormes franchises tendo em conta que há não muito tempo séries de ficção eram consideradas obras de menor qualidade quando comparadas com o cinema. Não podemos fugir ao fenómeno de “mediafandom” sem falarmos no Star Trek e na ficção científica como impulsionadora do mesmo. A série original do Star Trek concebida por Gene Roddenberry estreou a 8 de Setembro de 1966 na NBC e era tida como uma espécie de western no espaço cujo final de cada episódio transmitia uma mensagem moral. Apesar de lidar com temas inovadores estava em risco de ser cancelada quase desde o seu inicio devido aaudiências medíocres. A ameaça por parte da NBC de cancelar a série galvanizou o que, mais tarde, viria a ser um dos maiores e contínuos movimentos de fãs no mundo. Quando a noticia do possível cancelamento se tornou publica em 1967, Roddenberry e um grupo de fãs de ficção científica começaram a organizar uma extensiva campanha para salvar a série onde enviaram cartas e petições para o presidente daNBC, estações de televisão afiliadas da NBC e revistas. Um comunicado da NBC deu a conhecer que a estação recebeu mais de 115 mil cartas em resposta ao cancelamento – uma quantidade surpreendentemente grande para uma série tão pequena – e renovou a série para uma terceira temporada. Mais tarde iria ser de novo cancelada, mas este tipo de ativismo por parte dos fãs de Star Trek e o continuocrescimento dos mesmos (que se começavam a congregar em convenções um pouco por toda a América em grande escala) vai despertar o interesse de vários estúdios de cinema (e.g. Paramount) e outras estações de televisão que ao longo das décadas seguintes e até aos dias de hoje capitalizaram o Star Trek não só com séries de televisão e filmes mas também com extensas linhas de merchandising, livros, bandasdesenhadas e jogos, talvez o nascimento do media franchise como hoje o conhecemos.
A este primeiro fenómeno criado com o Star Trek que consciencializou os produtores e estúdios de cinema e televisão que existia um segmento de mercado que transcendia o consumidor comum. Posterior ao Star Trek e maioritariamente dentro do género da ficção científica assistimos ao aparecimento de outros fenómenos comoBattlestar Galactica, Stargate, X-Files e mais recentemente LOST.

Fandom & Franchise no séc. XXI
À entrada no séc. XXI as séries de televisão (mesmo as muito aplaudidas) eram vistas no geral como obras secundarias, mesmo o budget destas não se comparava à média de custos de uma série nos dias de hoje. Em 2004 Lloyd Braun (um dos executivos da ABC) dá luz verde a um piloto de televisão cujocusto era de cerca 13 milhões de dólares de seu nome LOST. Braun viria a ser despedido da ABC ainda antes da estreia da série, desconhecendo ainda que tinha mudado completamente os padrões de qualidade das séries de ficção daí em diante. É importante notar que os valores de produção de LOST eram algo nunca antes visto em televisão, desde o elenco que, inicialmente, consistia em 14 papéis de grandedestaque e com uma vertente multicultural, a escala de efeitos especiais, formato serializado, a própria estrutura narrativa da série (uso de flashbacks), a mitologia desenvolvida ao longo da mesma e até o próprio décor principal.
O LOST teve direito a seis temporadas (tendo as 3 ultimas sido garantidas de avanço), teve a maior estreia de sempre no Reino Unido para uma série estaduniense e deuorigem a uma série de mini-episódios complementares, congregação de fãs em convenções um pouco por todo o mundo, jogos para computador, telemóveis e consolas, vários sites paralelos que apostavam no marketing viral da série, livros oficiais e não oficiais onde se exploravam as teorias por detrás do conteúdo da série, puzzles e action figures produzidas pela McFarlane Toys, linhas de roupa e...
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