Maria da fonte

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História de Portugal Contemporâneo (Século XIX)
Professor Doutor Paulo Jorge Fernandes
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - UNL
Ano Lectivo de 2011/2012

Maria da Fonte

Contestações e insurreições populares no Minho

André Alexandre Costa Silva

Índice

Introdução 3
Maria da Fonte: contestações e insurreições populares no Minho 4
Conclusão 8
Bibliografia 9

IntroduçãoO título atribuído a este trabalho começa desde já por denunciar o seu cariz e temática. Com efeito, pretende-se aqui elaborar um resumo sucinto acompanhado por uma breve exposição dos acontecimentos ocorridos nesta data.
Maria da Fonte ficou para a História como o símbolo de um movimento feminino no Minho, que pouco tempo mais tarde viria a ser aproveitado para encabeçar um golpe com vista ádeposição do governo liderado por António Bernardo da Costa Cabral. Conhecida por Maria da Fonte, Revolução de 1846 ou Revolução do Minho, ainda hoje este acontecimento, ou mais correctamente, esta sucessão de acontecimentos, se encontra revestida de grande interesse para a História do século XIX em Portugal. No entanto, e ao contrário do que seria de esperar para um acontecimento bastanteconhecido até aos dias de hoje, na minha opinião, apesar da existência de alguns estudos feitos sobre esta, carece ainda de informação especifica sobre determinados assuntos que não podem deixar de ser analisados.
Para o estudo desta revolução, foi estabelecida uma divisão temporal em dois momentos distintos, sendo que, o primeiro é caracterizado pelas revoltas populares que tiveram inicio no concelhode Póvoa de Lanhoso, e o segundo, pelo aproveitamento político que se gerou em torno destas, por parte de miguelistas, alas liberais “à esquerda”, entre vários outros opositores ao regime cabralista.
Dada a complexidade de cada um destes dois momentos, e face às limitações colocadas a nível da dimensão do trabalho, dirigirei o mesmo para o primeiro momento, ou seja, para as revoltas populares.Pretendendo com este trabalho apresentar de forma breve, clara e contextualizada as causas e consequências das principais ocorrências populares no Minho e a sua importância para a queda do governo cabralista a 20 de Maio.

Maria da Fonte: contestações e insurreições populares no Minho

Um dos primeiros problemas que surge na análise deste primeiro momento reside na inexistência de uma dataçãocerta relativa ao começo dos movimentos de contestação. Essa variação pode ser explicada pelo conhecimento de motins, que não foram, à data da sua realização registados, e só vários anos mais tarde, aparecem escritos, como nos mostra José Viriato Capela.
Isto coloca à partida alguma dúvida quanto à credibilidade dos relatos de imprensa que vários anos mais tarde apresentam episódios dos quaisnão há registo anterior conhecido. Independentemente disso, vários autores afirmam que o inicio dos movimentos colectivos de contestação no Minho data do mês de Janeiro. Embora só a partir de Fevereiro, tenham ganho maior número.
Outra questão, também esta revestida de grande interesse, é o porquê da associação da Maria da Fonte a um movimento despoletado e liderado, numa fase inicial por mulheres.Esta pode ser explicada em parte pela organização social e familiar portuguesa do século XIX. Não podemos também deixar de parte o principal factor de desagrado que esteve na base da contestação popular: as Leis da Saúde.
Implementadas no governo de Costa Cabral, as Leis da Saúde impunham a proibição de enterramentos dos defuntos nas igrejas, e “sem prévia certidão de óbito (bilhete deenterramento, pago)”. Pratica comum naquela altura nos países vizinhos, como Espanha e França, e nos dias de hoje vista como banal devido à compreensão e preocupação com a saúde pública e conhecimento do perigo que isso representa, viu naquela altura em Portugal um grande obstáculo (embora não tivesse sido a primeira tentativa de aplicação desta lei, mas sem sucesso, em Portugal). Seria aquela...
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