Luto

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 7 (1521 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 31 de agosto de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
Luto
A vida e a morte andam, quer queiramos quer não, de mãos dadas e marcam ambas presença no nosso quotidiano, em que a perenidade da vida recorda-nos a inevitabilidade da morte.
Segundo Sanders (1999; pág. 3) relata a dor da perda da seguinte forma: "A dor de uma perda é tão impossivelmente dolorosa, tão semelhante ao pânico, que têm que ser inventadas maneiras para se defender contra ainvestida emocional do sofrimento. Existe um medo de que se uma pessoa alguma vez se entregar totalmente à dor, ela será devastada - como que por um maremoto enorme - para nunca mais emergir para estados emocionais comuns outra vez". O tempo acaba por ser o maior aliado para ultrapassar a inolvidável perda, permitindo uma recuperação lenta e gradual. Porém, o sobrevivente tem também um papel ativo noprocesso de luto, tendo que efetuar determinadas tarefas de forma a "deixar ir" o ente perdido e seguir em frente com a sua vida. Quando estas tarefas não são realizadas, acaba-se por passar a ténue e imprecisa linha que separa o luto normal do luto patológico. Neste último, verifica-se que a severidade dos sintomas do luto, características de uma fase inicial que se segue à perda, acaba por seprolongar por um período de tempo superior ao habitual.
Dos vários tabus que marcam a história da nossa sociedade, a sexualidade e a morte parecem ter sempre ocupado os primeiros lugares. Este último, ao contrário da sexualidade, continua a ser um tema muitas vezes non grato, pois falar da morte recorda-nos a efemeridade da nossa própria vida e todos os esforços são feitos no sentido de tentarcontrariar o incontornável facto da mortalidade. A própria estrutura que a sociedade ocidental adoptou vem facilitar este afastamento direto da morte, dificultando, no entanto, a adaptação necessária à perda, para prosseguir com a vida. O facto das pessoas morrerem cada vez mais frequentemente nos hospitais, por vezes longe da presença familiar no momento da perda, acaba por afastar a confrontaçãodireta com a morte, como acontecia antigamente, em que as pessoas na maior parte das vezes morriam em casa. Este afastamento do momento da morte, juntamente com o menor apoio da comunidade numa sociedade cada vez mais individualista, são fatores sociais que dificultam enormemente o processo de luto.
Relativamente às relações familiares, o que se verifica é que cada membro, perante a perda, reage deuma maneira própria e em tempos diferentes, podendo gerar vários conflitos, afastamentos ou até mesmo rupturas no seio familiar.
O Processo de Luto
Frente a qualquer perda significativa, de uma pessoa ou até de um objeto estimado, desenrola-se um processo necessário e fundamental para que o vazio deixado, com o tempo, possa voltar a ser preenchido. Esse processo é denominado de luto e consistenuma adaptação à perda, envolvendo uma série de tarefas ou fases para que tal aconteça.
De acordo com Sullivan (1956 cit. por Sanders, 1999), o processo de luto oferece ao sobrevivente à oportunidade de se deslindar dos laços da vinculação. Em condições normais, o processo de luto elimina estas vinculações que ameaçam manter as ilusões de amor eterno. O autor vê, portanto, o processo de luto comoum mecanismo extremamente valioso e protetor, sem no entanto negligenciar a dor e o aspecto desagradável que o caracterizam.
Um importante contributo para o estudo do processo do luto foi proporcionado por Bowlby (1980 cit. por Sanders, 1999) através da sua teoria da vinculação. O autor considera o processo de luto adaptativo tanto nos animais, como nos humanos, sendo por isso universal.Baseando-se nas descrições de Darwin e de Lorenz acerca da aflição presente nos animais, Bowlby conclui que a procura e o choro são mecanismos adaptativos, desenvolvidos para recuperar a figura de vinculação perdida. Como estes comportamentos foram normalmente bem sucedidos no reencontro com as figuras próximas, eles continuaram como uma resposta automática e intrínseca à perda. Desta forma, o autor...
tracking img