linguagem corporal

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25/11/2008-21h14
Teatro não é decoreba, diz Bob Wilson
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SARA UHELSKI
da Folha Online
PAULA CARVALHO
colaboração para a Folha Online
Durante a sabatina da Folha, realizada nesta terça-feira, o dramaturgo e artista Bob Wilson se mostrou contrário ao ator que só se concentra em decorar o texto.
"Queimem as escolas de teatro que só ensinam a decorar textos!", gritou a plenospulmões o dramaturgo, no auditório do Masp durante a sabatina realizada pela Folha como parte das comemorações pelos 50 anos da Ilustrada.
Wilson foi entrevistado por Marcos Augusto Gonçalves, editor da Ilustrada, Nelson de Sá, colunista da Folha, Marcos Flamínio Peres, editor do caderno Mais!, e Fábio Cypriano, crítico de arte da Folha. O dramaturgo ainda respondeu perguntas da platéia equestionamentos enviados por e-mail pelos leitores.
O artista afirmou que o teatro feito hoje em dia é simplesmente "um texto decorado" e ressaltou a importância do trabalho corporal do ator. "Não precisamos decorar o que vemos e ouvimos. Ambos são igualmente importantes".
Para ele, o artista só é completamente "livre" no palco, quando seus movimentos se tornam mecânicos. "Quanto mais você repete otrabalho, mais livre se é. Como andar de bicicleta. Quando se aprende, você faz sem pensar", explicou.
A seu ver, é mais "honesto" o ator se movimentar de forma artificial no palco do que procurar agir "naturalmente". "O teatro que vejo é baseado em uma mentira", declarou.
"Se você sabe o que está fazendo, não faça. É necessário questionar o que se está fazendo", disse o dramaturgo sobre o trabalho doator. Para ele, a maioria dos artistas se assemelha a professores de escola, que impõem uma idéia que deve ser aceita pelos alunos. "Eles fazem com que você pense exatamente o que eles estão pensando."
Linguagem corporal
Durante a entrevista, Wilson destacou a importância da linguagem corporal no teatro e na televisão. Relembrou o início de sua carreira no teatro, quando encenou peças mudas e,mais tarde, inseriu nos trabalhos textos sem sentido, os quais define como "construções matemáticas com palavras sem conteúdo".
Esse método matemático ainda permeia o seu processo criativo. Wilson explicou que começa seu trabalho com o ator dizendo para ele fazer um movimento qualquer, a sua escolha. Após o ator executar o gesto, o dramaturgo anota e depois pede para ele fazer um movimentodiferente, e assim por diante.
"Quando me dou conta, há 12 movimentos diferentes. Começo então a enumerar esses gestos até que eles formem uma seqüência", explica. Wilson conta que essa série deve ser repetida pelo ator que a criou e pelos demais que compõem o elenco.
A partir daí, o dramaturgo começa a fazer combinações entre os movimentos e os atores. "Começo então a criar um vocabulário de algocriado espontaneamente. Construo uma linguagem teatral com movimento e linguagem corporal". Só depois dessa etapa é que Wilson começa a introduzir os sons nos seus trabalhos, pois garante que sempre precisa partir do silêncio.
Retratos
Além de seu trabalho no teatro, Wilson também é conhecido por seus retratos. Parte deles pode ser vista atualmente em São Paulo, na exposição "Voom Portraits", emcartaz no Sesc Pinheiros.
Entre os fotografados por Wilson estão celebridades como Brad Pitt e Winona Ryder, entre outros. Durante a entrevista, o dramaturgo rebateu as críticas que afirmam que seu trabalho tem apelo comercial. "Não fotografo apenas gente famosa. Faço imagens de pessoas normais e de animais, é como se fosse um álbum de família", disse.
"Até gostaria que meu trabalho fosse maiscomercial", disse Wilson, lembrando de algumas de suas produções que fugiram do convencional, como a peça "A Vida e a Época de Josef Stalin", que tinha 12 horas de duração.
Durante a sabatina, Wilson, que entreteu a platéia com uma amostra de seus performances, ainda falou sobre o trabalho de Andy Warhol, que considera um dos maiores artistas do século 20. "É difícil me comparar a Andy, embora...