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R e v i s t a P r o l í n g u a – I S S N 1983-9979 Volume 2 Número 1 – Jan./Jun de 2009

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O CARTEIRO CHEGOU: uma proposta de seqüência didática para séries iniciais
Cláudia Valéria Doná Hila17 (UEM- PG/UEL) Elvira Lopes Nascimento (UEL)

Resumo

O trabalho com a prática da leitura e os gêneros textuais na sala de aula ainda é cercado de muitas lacunasteórico-metodológicas, especialmente nas séries iniciais que, regra geral, ainda tende a gramaticalizar o gênero. Essas lacunas reforçam-se também na formação dos futuros pedagogos, cujos currículos carecem de bases epistemológicas para o trabalho com a leitura, na perspectiva interacionista. No que concerne de forma específica ao trabalho com os gêneros textuais para as aulas de leitura, a dificuldade inicial, querdo professor em exercício ou de seu aluno, já aparece no momento do reconhecimento do gênero. Exatamente por isso, o objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de uma seqüência didática (DOLZ & SCHNEUWLY, 2004; BRONCKART, 2008), voltada principalmente para o reconhecimento do contexto de produção de gêneros em sua maioria epistolares, a partir do livro O carteiro chegou, de Janet e AlanAhlberg para séries iniciais. Nosso intuito é o de contribuir com materiais didáticos destinados a essa etapa e de auxiliar o processo de letramento do professor no local de trabalho (KLEIMAN, 2008). O referencial teórico ancora-se nos pressupostos do Interacionismo Social e do Interacionismo Sociodiscursivo, que postulam a necessidade de se compreender o agir do sujeito a partir de um contextosócio-histórico específico. Palavras-chave: Leitura. Gêneros textuais. Seqüência didática. Formação do professor.

1. INTRODUÇÃO

Ninguém duvida da importância do exercício da leitura para o desenvolvimento crítico e psíquico do sujeito. Ninguém duvida, também, da necessidade de termos um ensino que desenvolva capacidades leitoras críticas em nossos alunos, que promova a sua inclusão em um mundomultissemiótico, que seja, por fim, promotor do exercício de cidadania, o que, sem dúvida, passa pela apropriação dos gêneros textuais, já que são eles os instrumentos para se para se criar um ambiente de letramento na escola e a sua apropriação é, como efeito, “um mecanismo fundamental de socialização, de inserção prática nas atividades comunicativas humanas” (BRONCKART, 2003, p.103).

17Professora Asssitente da Universidade Estadual de Maringá e participante do projeto “Interação e escrita no ensino e aprendizagem” (UEM/CNPq)

R e v i s t a P r o l í n g u a – I S S N 1983-9979 Volume 2 Número 1 – Jan./Jun de 2009

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Todos esses desejos, por tantas vezes recorrentes nos trabalhos científicos e nos documentos oficiais esbarram, na sala de aula, com um trabalho,no âmbito da leitura e da escrita, que não vem gerando desenvolvimento nas crianças, haja vista os resultados de exames oficiais como a Provinha Brasil, que no final de 2005 revelou a superficialidade da formação leitura das crianças ou, ainda, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica - SAEB (BRASIL, 2004), que da mesma forma evidenciou o estado crítico da escola pública brasileira.Considerando, então, não apenas os resultados oficiais, mas também os resultados obtidos em cursos de formação por nós ministrados18, temos percebido que uma das dificuldades iniciais quer dos professores ou de seus alunos é o de reconhecer o gênero no seu local de circulação. Entendemos que o reconhecimento do gênero, para depois a sua apropriação no âmbito da escrita/oralidade, o mais próximopossível do seu local de circulação, é o primeiro passo para a produção de aulas de leitura (e também da escrita),com vistas ao desenvolvimento da leitura crítica do aluno (HILA, 2009) e com vistas ao próprio letramento do professor para/no seu local de trabalho (KLEIMAN, 2008). Essa apropriação é, sem dúvida, gradativa e, no âmbito da leitura, requer atividades iniciais para que ela aconteça, por...
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