Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário

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  • Publicado : 21 de setembro de 2012
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Ler e Escrever na Escola: o real, o possível e o necessário

Qual é o desafio?
O desafio é formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas sujeitos que possam “decifrar” o sistema de escrita. É formar seres humanos críticos, capazes de ler entrelinhas e de assumir uma posição própria frente à mantida explícita ou implicitamente, em vez de persistir em formar indivíduos dependentes daletra do texto e da autoridade de outros. Ou seja, formar seres humanos pensantes, críticos, que não aceitam somente o que lhe seja imposto. O grande desafio é formar pessoas que sejam capazes de escolher e selecionar o que lhe é interessante ler, e que a leitura ultrapasse as barreiras da escola. Acredito que o maior desafio de um professor que faça com que os alunos tenham prazer na leitura ena escrita e que criança seja capaz de perceber o quão importante esse processo é em nossa vida.
O desafio é promover a descoberta e a utilização da escrita como instrumento de reflexão sobre o próprio pensamento, como recurso insubstituível para organizar e reorganizar o próprio conhecimento, em vez de manter os alunos na crença de que a escrita é somente um meio para reproduzir passivamente, oupara resumir – mas sem reinterpretar – o pensamento de outros.

É possível a mudança na escola?
Os deságios apresentados implicam uma mudança profunda. Levá-la à prática não será fácil para a escola. As reformas educativas – pelo menos as que realmente merecem tal nome – costumam tropeçar em fortes resistências.
A inovação tem sentido quando faz parte da história do conhecimento pedagógico equando, ao mesmo tempo, retoma e supera o anteriormente produzido. No entanto, as inovações que realmente supõe um progresso em relação à prática educativa vigente têm sérias dificuldades para se instalar no sistema escolar; em troca, costumam adquirir força pequenas “inovações” que permitem alimentar a ilusão que algo mudou, “inovações” que são passageiras e logo serão substituídas por outras quetampouco afetarão o essencial do funcionamento didático.

A capacitação: condição necessária, mas não suficiente para a mudança na proposta didática.
Se a atualização sempre é necessária para todo profissional, é mais ainda no caso dos professores. Entretanto, a capacitação está longe de ser a panaceia universal que tanto gostaríamos de descobrir.
Lamentavelmente, não podemos modelar osistema de ensino à imagem e semelhança de nossos desejos, não temos uma varinha mágica capaz de conseguir que deixe de se cumprir a função implicitamente reprodutivista da instituição escolar e que só se cumpra a função explícita de democratizar o conhecimento. Mas tampouco podemos renunciar a modificar de forma decisiva o sistema de ensino.

Acerca da transposição didática: a leitura e a escritacomo objetos de ensino

Na vida escola há um abismo imenso entre leitura e escrita. A criança não consegue associar – não de primeiro momento – que o que a professora está lendo, é o que está escrito no livro. Logo, essa transposição torna-se essencial, e o professor deve torna-la objeto de ensino.
A escola tem a finalidade de comunicar às novas gerações o conhecimento elaborado pela sociedade.Para tornar realidade este propósito, o objeto de conhecimento – o saber científico ou as práticas sociais que se tenta comunicar – se transforma em “objeto de ensino”.
A transposição didática é inevitável, mas deve ser rigorosamente controlada. É inevitável porque o propósito da escola é comunicar o saber, porque a intenção de ensino faz com que o objeto não possa aparecer exatamente da mesmaforma, nem ser utilizado da mesma maneira que é utilizado quando essa intenção não existe, porque as situações que se apresentam devem levar em conta os conhecimentos prévios das crianças que estão se apropriando do objeto em questão.

Acerca do “Contrato Didático”

Aprender na escola – assinalou E. Rockwell (1982) – é principalmente [...] aprender “usos” dos objetos escolares, entre eles o...
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