Lele

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  • Publicado : 11 de setembro de 2012
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A aprovação do plano da ONU de partilha da Palestina, no dia 29 de novembro de 1947, foi recebida com festa pelos judeus, que sonhavam com a criação de seu Estado. Já para os árabes, contemplados com a menor porção do território, aquele foi um dia de indignação. Não demoraram a eclodir conflitos entre as duas comunidades e, no início de 1948, a região se encontrava em plena guerra civil.
 Apartir de janeiro daquele ano, voluntários de países árabes vizinhos começaram a chegar para montar um cerco aos judeus residentes em Jerusalém. O líder sionista David Bem Gurion organizou, então, uma força militar para enfrentar os árabes. Em 20 de abril Jerusalém foi liberada, e no dia 14 de maio Ben Gurion proclamou unilateralmente a fundação do Estado de Israel.
A reação foi imediata. Em 15 demaio a Liga Árabe, coalizão formada por Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Síria, Arábia Saudita e Iêmen, declarou guerra a Israel e começou a enviar tropas à Palestina. A guerra se estendeu até julho de 1949, entre tréguas e retomada de hostilidades.
Os israelenses venceram e tomaram para si grandes porções do território originalmente reservado pela ONU ao Estado árabe a ser criado na região. Comose não bastasse, a área restante foi anexada pelos vizinhos: a Cisjordânia pelo reino da Jordânia, e a Faixa de Gaza pelo Egito. Sem terras, cerca de 700 mil refugiados palestinos se espalharam pelo Oriente Médio.
Nos últimos 60 anos, Israel tratou do caso como uma heróica guerra de independência travada contra um conjunto de poderosos inimigos árabes. O recém-nascido Estado judeu não teriaresponsabilidade na expulsão dos palestinos - a diáspora teria se dado por orientação dos dirigentes árabes.
Essa versão, porém, vem sendo questionada. Não por árabes, mas por uma nova geração de historiadores israelenses, que estudaram novos documentos, muitos extra-oficiais, oriundos de arquivos públicos e privados. Correndo o risco de ir contra a opinião pública de seu país, eles provam que oexército israelense está na origem de significativas remoções de população palestina.
A diferença entre as pesquisas realizadas por essa nova geração de estudiosos e as de seus antecessores é que, até os anos 80, os historiadores só se baseavam em obras publicadas pelo ministério da Defesa e nas Memórias de David Ben Gurion. Com a abertura dos novos arquivos, foi possível confrontar o mito com arealidade.
 "Ao mergulhar nesses documentos, eu disse a mim mesmo muitas vezes: 'Mas não foi nada disso que eu aprendi na escola!'", conta o pesquisador Tom Segev. Aliás, ele e seus contemporâneos não gostam de ser chamados de "novos historiadores", mas sim de "primeiros" historiadores do Estado de Israel.
A partir de 1985, nomes como Simha Flapan, Tom Segev, Avi Schlaim, Ilan Pappe e Benny Morrispassaram a questionar a versão oficial. O acesso que tiveram a documentos extra-oficiais os levou a reescrever a história da guerra árabe-israelense de 1948.
Avi Shlaim, pesquisador do Saint Antony's College e professor de relações internacionais da Universidade de Oxford, dá um testemunho impressionante. "Os relatos tradicionais produzidos pelos sionistas na época do nascimento do Estado de Israel(...) apresentam a guerra de 1948 como um combate de morte, simples e bipolar, entre um adversário árabe monolítico e mal-intencionado, e uma pequeníssima comunidade amante da paz. (...) A vitória de Israel nessa guerra é miraculosa e é fruto da determinação e do heroísmo dos combatentes judeus, mais do que da desunião e da desordem do lado árabe."
As pesquisas atuais, entretanto, revelam queIsrael foi à guerra com a certeza de vencer os árabes, ainda que em 1948 a Palestina abrigasse menos judeus (cerca de 30%) que árabes. Ocorre que a população judaica estava motivada e seus recursos econômicos e financeiros eram muito superiores aos dos palestinos.
Havia também a gritante superioridade militar de Israel frente aos inimigos. Em maio de 1948, as Forças de Defesa de Israel (Tsahal)...
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