Lei do estagiario

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  • Publicado : 28 de março de 2012
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Os perigos de um mundo descartável

O economista mineiro Eduardo Giannetti da Fonseca, professor do Insper de São Paulo, teve um estalo há alguns anos. Diante dos sinais irrefutáveis da mudança no clima, percebeu que a vida no planeta está indo para um buraco perigoso – e sem retorno – em virtude do modo insustentável de produção. Fã da economia de mercado, Giannetti alerta para a “cegueira” dosistema de preços, que considera omisso quanto ao custo ambiental das escolhas de produção e consumo. “Ele padece de uma falha tão ou mais grave no longo prazo do que o planejamento central. Nunca imaginei que diria isso na vida.” Para Giannetti, é preciso uma mudança nos valores e na forma de produzir e consumir. Senão, diz o economista, a conta recairá sobre o meio ambiente. “E o a ambiente nãoaceita desaforos.” A seguir, trechos da entrevista.
E como termina essa história?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Lamentavelmente, o ambiente não vai aceitar indefinidamente esse desaforo, ainda mais com 1 bilhão de indianos e chineses entrando na corrida armamentista do consumo. O limite virá de fora. Adoraria que viesse do amadurecimento ético, com as pessoas ganhando uma nova consciência eoutros valores. Duvido muito. O mundo está se estreitando dentro de um padrão democrático monetário americano dominante. Mas o limite ambiental, que não é de escolha humana, vai se impor.
De que forma?
Giannetti: Já está se impondo. A expressão visível e ameaçadora de que tem limite é a mudança climática. Isso vai levar à mudança nos modos de produzir, consumir e até de valores. Essas mudançasocorrerão de forma voluntária ou terão de ser impostas. Chegamos a uma situação de tal gravidade que não dá para esperar para compactuar alguma mudança que não sacrifique tanto a liberdade.


O que está errado?
Giannetti: Eu, que sou fã da economia de preços e de mercado, hoje percebo que ela padece de uma cegueira absurda, que é o modo como usamos os recursos ambientais. O sistema de preços écompletamente omisso em relação ao custo ambiental de nossas escolhas de produção e consumo. Não sinaliza a gravidade do que estamos fazendo com o espaço biológico de que nossa vida depende. Um exemplo vem de Alfred Marshall, economista inglês do século XIX: suponha uma comunidade com acesso a água potável de graça. A água não entra em nenhum tipo de registro. Mas se as pessoas dessa comunidadepoluírem todas as fontes de água potável e passarem a direcionar trabalho para engarrafar, distribuir e vender esse bem, o que acontece com o PIB desse país? Aumenta. Uma coisa que antes era de graça passa a demandar trabalho, as pessoas passam a desembolsar dinheiro para comprá-la e o PIB aumenta.
Mas a qualidade de vida piora.
Giannetti: A qualidade de vida piora, as pessoas agora têm que compraruma coisa que era antes um bem livre e, no entanto, parece que ficaram mais prósperas. Quando a gente tiver de andar com uma garrafinha de oxigênio no bolso para continuar respirando, o PIB vai subir de novo. Se as doenças respiratórias aumentarem porque o ar está poluído e for preciso trabalhar mais para pagar os remédios e os médicos, o PIB subirá de novo.
O cálculo do PIB está errado.Giannetti: A medida do PIB é muito burra, porque ela apenas registra o que passou pelo sistema de preços, sem saber o que, de fato, está acontecendo com a vida das pessoas. É um problema de contabilidade simples. Mas o mais grave é que o sistema de preços sinaliza errado. Se um empresário quiser fazer uma usina para gerar eletricidade, ele tem um leque de opções. Vamos pegar os extremos: uma termelétricaa carvão ou uma usina solar com a melhor tecnologia. Se eu comparar hoje o preço dessas duas coisas, a ordem é de cinco para um. A termelétrica é muito mais econômica nesse registro monetário – o custo de produção do KW/h – do que a solar. Mas tem uma assimetria nessa comparação. E o custo não monetário do CO2 que ela emitirá ao gerar um KW com o carvão? A solar não tem. O sistema de preços não...
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