Laraia

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CULTURA: UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO
Regis Augusto Domingues Resenha Revista Antropos – Volume 3, Ano 2, Dezembro de 2009 ISSN 1982-1050

ANTROPOS – Revista de Antropologia – Volume 3, Ano 2, Dezembro de 2009 – ISSN 1982-1050

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico, 21º edição. Zahar: Rio de Janeiro, 2007. A Antropologia, principalmente na abordagem dos fenômenosculturais, tem-se mostrado uma ferramenta importante para o trabalho teológico, tanto na formulação conceitual da teologia, quanto na práxis desses conceitos, principalmente quando tratamos da missiologia e a inserção dessa no contexto transcultural. E quando digo contexto transcultural penso tanto na vivência missionária em lugares e culturas distantes e bastante diferentes da nossa, como na missão feitanos púlpitos, praças e ruas no meio urbano, que pode se deparar, também, com uma infinita variedade cultural. Por isso, como um incentivo ao estudo e diálogo da Teologia com a Antropologia, quero com essa resenha despertar o interesse dos meus leitores pela abordagem cultural oferecida pela Antropologia e levar, aos que estudam a Teologia e fazem missão, a enveredarem-se no saboroso e enriquecedordiálogo interdisciplinar. O livro de LARAIA é introdutório e, como todo bom trabalho acadêmico, não apresenta qualquer juízo de valor. O autor é professor titular da Universidade de Brasília e domina como ninguém o tema que se propõem a escrever, tanto que consegue sintetizar em poucas páginas um arcabouço teórico construído no decorrer de séculos por inúmeros pensadores e pesquisadores do campoda Antropologia. A pequena brochura de LARAIA pretende traçar uma apresentação introdutória ao conceito antropológico de cultura num texto didático, claro e simples (p. 07). O tema é tratado no livro em duas partes. A primeira parte apresenta a herança teórica do conceito de cultura até os autores contemporâneos. A segunda parte aborda a influência que a cultura exerce no comportamento social ecomo produz, mesmo diante da constatação de unidade biológica, a diversidade nas sociedades humanas. A primeira parte é iniciada com a discussão sobre as perspectivas do determinismo biológico como fator preponderante na formação e concepção da diversidade cultural. O autor apresenta razões que levam a conclusão de que essa perspectiva é equivocada, uma vez que, mesmo havendo diferenças determinadasbiologicamente, como a de sexo, por exemplo, a antropologia tem comprovado que atividades atribuídas à mulher em uma dada cultura podem ser atribuídas ao homem em outra (p. 19). Portanto, o comportamento de uma pessoa pode ser atribuído ao seu aprendizado, que o autor chama de um processo de endoculturação.

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ANTROPOS – Revista de Antropologia – Volume 3, Ano 2, Dezembro de 2009 – ISSN1982-1050

Na seqüência LARAIA aborda o pressuposto teórico do determinismo geográfico que considera os fatores ambientais como condição da diversidade cultural. Esse conceito é refutado pelo autor a partir das demonstrações de antropólogos como Boas, Wissler e Kroeber que apresentam as limitações do fator geográfico na formação da cultura, sendo que é possível encontrar uma diversidade culturalnuma mesma localidade geográfica. Os antecedentes históricos e o desenvolvimento do conceito de cultura são abordados na continuidade da primeira parte. Nomes como Locke, Turgot, Jean-Jacques Rousseau e Tylor são citados como formuladores iniciais desse conceito, concluindo, com uma citação de Geertz, que o grande número de definições contribuíram mais para a confusão do conceito do que para o seuesclarecimento, sendo necessário atualmente à antropologia delimitar e reconstruir o conceito para transformá-lo num instrumento teórico mais eficiente. Debatendo sobre algumas escolas antropológicas apresenta uma perspectiva do desenvolvimento histórico do conceito de cultura. A origem da cultura e as teorias modernas sobre o tema são examinados nas últimas considerações da primeira parte do...
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