Lala

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O editor da revista Elle tem um derrame cerebral, que faz com que o único movimento que tenha em seu corpo seja o do olho esquerdo

Jean-Dominique Bauby, nascido em 1952, pai de dois filhos, era redactor-chefe da revista francesa Elle quando foi vítima de um locked-in syndrome, uma doença rara, que o deixou lúcido intelectualmente, mas paralisado por completo, só podendo respirar e comer pormeios artificiais e mover o olho esquerdo.


Bauby faleceu a 9 de Março de 1997, mas deixou este seu testemunho impressionante, bem escrito, e melhor traduzido, do que é ter um intelecto vivo dentro de um corpo morto







[pic]







O ESCAFANDRO E A BORBOLETA
Jean-Dominique Bauby








Digitalização: Márcia – RJ (2008)


Esta obra foi publicada originalmente emfrancês com o título
LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON, por Robert Laffont, Paris, em 1997


1a edição
julho de 1997

Tradução
Ivone Castilho Benedetti


Revisão gráfica – Eliane Rodrigues de Abreu
Produção gráfica – Geraldo Alves
Paginação/Fotolitos – Studio 3 Desenvolvimento Editorial
Capa – Kátia Harumi Terasaka



Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(CâmaraBrasileira do Livro, SP, Brasil)
___________________________________________________

Bauby, Jean-Dominique, 1952 –
O escafandro e a borboleta / Jean-Dominique Bauby :
Tradução Ivone Castilho Benedetti. – São Paulo : Martins Fontes. 1997.

Título original: Lê scaphandre et lê papillon.
ISBN 85-336-0651-6

1. Bauby, Jean-Dominique. 1952 – 2. Distúrbios cerebrovasculares -
Pacientes –Biografia I. Título

97-2597 CDD-920.961681

Índices para catálogo sistemático:
1. Acidentes vasculares cerebrais : Pacientes : Biografia 920.961681
2. Pacientes : Acidentes vasculares cerebrais : Biografia 920.961681



Todos os direitos para o Brasil reservados à
Livraria Martins Fontes Editora Ltda























Para Théophile e Celeste,
com osdesejos de muitas borboletas.


Quero expressar minha
gratidão a Claude Mendibil,
cujo papel primordial na
realização deste livro será
compreendido por quantos
lerem suas páginas.





















PRÓLOGO

Por trás da cortina de tecido rendado a claridade leitosa anuncia que a manhãzinha vem chegando. Meus calcanhares doem, minha cabeça é uma bigorna, e meu corpoestá encerrado numa espécie de escafandro. Devagarinho, meu quarto vai saindo da penumbra. Olho detidamente as fotos dos entes queridos, os desenhos das crianças, os cartazes, o pequeno ciclista em folha-de-flandres, enviado por um amigo às vésperas da Paris-Roubaix, e a trave que coroa o leito onde me encontro incrustado há seis meses, como um Bernardo-eremita em seu rochedo.

Não preciso pensarmuito tempo para saber onde estou e lembrar que minha vida deu uma guinada no dia 8 de dezembro do ano passado, uma sexta-feira.

Até então, nunca tinha ouvido falar em tronco encefálico. Naquele dia descobri de chapa essa peça mestra do nosso computador de bordo, passagem obrigatória entre o encéfalo e as terminações nervosas, quando um acidente vascular cerebral pôs o tal tronco fora docircuito. Antes, davam a isso o nome de “congestão cerebral”, e a gente morria, pura e simplesmente. O progresso das técnicas de reanimação sofisticou a punição. Escapamos, mas “brindados” por aquilo que a medicina anglo-saxônica batizou com justiça de locked-in syndrome: paralisado dos pés à cabeça, o paciente fica trancado no interior de si mesmo com o espírito intato, tendo os batimentos de suapálpebra esquerda como único meio de comunicação.

Evidentemente, o principal interessado é o último que fica a par desse indulto. Quanto a mim, tive direito a vinte dias de coma e a algumas semanas de brumas antes de perceber realmente a extensão dos estragos. Foi só no fim de janeiro que emergi de fato neste quarto 119 do Hospital de Berck, à beira-mar, onde penetram agora os primeiros clarões...
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