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Física Quântica e Espiritualidade

DEUS E A CIÊNCIA
Estaremos estudando inicialmente uma série de diálogos realizados na Academia Francesa de Ciência entre Jean Guitton, doutor em Letras e professor de História da Filosofia na Faculdade de Letras de Paris, autor de dezenas de livros de filosofia e os irmãos Igor e Grichka Bogdanov diplomados pelo Institut de Sciences Politique de Paris,doutores em Semiologia e em Física Teórica, publicados no livro DEUS E A CIÊNCIA – em direção ao metarrealismo publicado no Brasil pela editora Nova Fronteira. Através do estudo desta obra chega-se a interessantes ilações a cerca de Deus e da Espiritualidade. ********************** Nasci no primeiro ano do século XX. Chegando àquela idade em que as recordações se destacam do tempo pessoal para tomarseu lugar em grandes correntes históricas, sinto que atravessei um século sem equivalente na história da espécie pensante neste planeta; século de rupturas irreversíveis, de renovações imprevisíveis. Com os últimos anos do milênio, termina uma longa época: entramos, como cegos, num tempo metafísico. Ninguém ousa dizê-lo: sempre silenciamos sobre o essencial, que é insuportável. Mas uma grandeesperança ergue-se para aqueles que pensam. E desejamos fazer ver, em nossos diálogos, que se aproxima o momento de uma reconciliação fatal entre os cientistas e os filósofos, entre a ciência e a fé. Vários mestres do pensamento, animados de um espírito profético, haviam anunciado essa aurora: Bergson, Teilhard de Chardin, Einstein, Broglie e tantos outros. Igor e Grichka Bogdanov escolheram essecaminho: pediram-me que dialogasse com eles sobre a nova relação entre o Espírito e a matéria, sobre a presença do Espírito no seio da matéria. O projeto deles é substituir o "materialismo" e o "determinismo" que inspiravam os mestres do século XIX pelo que ousam chamar de metarrealismo: uma nova visão do mundo, que para eles deve impor-se progressivamente aos homens do século XXI. Não pudefurtar-me ao pedido deles. Aceitei o diálogo. E me lembrei de um outro diálogo, mais secreto: meu encontro com o filósofo alemão Heidegger, que exerceu tão grande influência sobre o nosso tempo. Heidegger, que falava por símbolos, me havia mostrado sobre sua mesa de trabalho, ao lado da imagem da mãe, um vaso afilado, transparente, de onde emergia uma rosa. A seus olhos, aquela rosa exprimia o mistériodo ente, o enigma do Ser. Palavra alguma podia dizer o que aquela rosa dizia. Ela estava ali, simples, pura, serena, silenciosa, segura de si mesma, em uma palavra: natural, como uma coisa entre as coisas, exprimindo a presença do espírito invisível sob a matéria por demais visível. Durante toda a minha vida, meu pensamento esteve ocupado pelo problema com o qual todos se defrontam: o sentido davida e da morte. É, no fundo, a única questão contra a qual se choca desde a origem o animal pensante, o único que enterra seus mortos, o único que pensa na morte, que pensa sua morte. Para iluminar seu caminho nas trevas, para adaptar-se à morte, esse animal tão bem adaptado à vida só tem duas luzes: uma se chama religião, a outra se chama ciência. No século passado - e no entender da maioriados espíritos esclarecidos -, a ciência e a religião eram contrárias uma à outra; a ciência refutava a religião em cada uma de suas descobertas; quanto à religião, proibia a ciência de se ocupar da Causa Primeira, ou de interpretar a palavra bíblica.

Há pouco tempo começamos a viver - ainda sem saber - a imensa mudança imposta à nossa razão, nosso pensamento, nossa filosofia, pelo trabalhoinvisível dos físicos, os teóricos do mundo, aqueles que pensam o real. O que desejo mostrar com os irmãos Bogdanov, buscando apoio na parte científica do saber deles, é que, neste fim de milênio, os novos progressos das ciências permitem entrever uma aliança possível, uma convergência ainda obscura entre os saberes físicos e o conhecimento teológico, entre a ciência e o mistério supremo. O que é a...
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