Judaismo

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ESCOLA DE SERVOS APASCENTAR, ESA 2

ISAQUE MOURA VIANA

O MAXISMO NA CULTURA JUDÉIA
E
A INFLUÊNCIA DA MULHER NA SOCIEDADE

Guarulhos
2012

1. "Que não me fizeste mulher"

Começar cada dia escutando os homens disserem "Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus,Rei do Universo que não me fizeste mulher" não é agradável para mulher alguma que, porsua vez, deve proferir com "resignação" aspalavras "Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus,
Rei do Universo, que me fizeste segundo Tua vontade".
Essas bênçãos fazem parte da liturgia tradicional judaica dentro do conjunto de
"agradecimentos a Deus" conhecido como "Bênçãos matinais" e que são recitadas toda
manhã ao despertar.
Essas bênçãos não são consideradas problemáticas apenas para a nossa geração, posterior
à "revoluçãofeminina", mas incomodaram também as gerações que nos precederam. E as
explicações ou "soluções" tentadas em diferentes épocas não foram suficientemente
convincentes.
A história dessas bênçãos - e as reações que geraram em mulheres e homens judeus -
poderia servir de roteiro do lugar das mulheres dentro do Judaísmo em diferentes momentos
históricos.
No Talmud de Babilônia - Tratado "Menachot" 43 Bestá escrito:
O Rabi Meir disse: O homem deve recitar três bênçãos cada dia, e elas são: Que
me fizeste (do povo de) Israel; que não me fizeste mulher; que não me fizeste
ignorante
Segundo o rabino contemporâneo Joel H. Kahan1, essa bênção se originou do dito helênico
popular, citado por Platão e Sócrates, que diz:
Há três bênçãos para agradecer o destino:
A primeira - que nasci ser humanoe não animal;
A segunda - que nasci homem e não mulher;
A terceira - que nasci grego e não bárbaro.
Mesmo que a ordem não seja exatamente a mesma - e os gregos agradeciam ao destino e
os judeus, a Deus -, a semelhança é flagrante: o agradecimento grego pelo fato de "ser humano" tem seu paralelo judaico em "não ser ignorante"; "não ser bárbaro" era para os
gregos tão importante quanto para osjudeus agradecer por ser parte do povo de Israel; e
"ser homem e não mulher" era central em ambas as culturas, onde a mulher ocupava um
lugar secundário, especialmente na vida pública.
Apesar de, na época bíblica, a mulher participar ativamente de todas as manifestações da
vida social2, política, econômica e religiosa, ela desaparece do cenário público no período
talmúdico (século III aséculo VI da Era Comum).
Essa concepção do lugar da mulher na sociedade judaica na época do Talmud3 - época na
qual foram estabelecidas as regras do dia-a-dia judaico, baseadas na interpretação e análise
dos textos bíblicos pelos rabinos (exclusivamente homens) -, recebe influência direta da
antiga sociedade grega em que estava inserida4. Nela, a mulher praticamente não tinha vida
social, já queestava afastada dos lugares e acontecimentos públicos, entre eles, os
religiosos.

2. A "propriedade" e as "prioridades" do tempo da mulher
Os Sábios do Talmud interpretaram o versículo "Toda a glória da filha do rei na sua casa"
(Salmo 45:14), ensinando que a honra de uma mulher exige que ela fique na sua casa,
cumprindo sua função essencial de ter filhos e de facilitar ao seu marido ocumprimento dos
preceitos.
Seguindo essa lógica, as mulheres eram definidas pelo aspecto biológico, como mães
procriadoras; do ponto de vista sociológico, eram dependentes, primeiro do pai e depois do
marido; e, sob o prisma psicológico, eram incapazes de dedicar-se a temas tidos sérios ou
importantes, exclusivos dos homens5.
Portanto, a presença de uma mulher num lugar público - na rua, nomercado, nos Tribunais,
nas casas de estudo, nos eventos públicos ou nos cultos religiosos -, era considerada uma
ofensa à sua dignidade de mulher.
2 Só tratamos do aspecto social, porque se o lugar da mulher é considerado segundo o aspecto legal, há
continuidade entre a época bíblica e talmúdica.
3 É a transcrição das discussões e interpretações dos Sábios, que fazem parte da tradição oral do...
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