Jk e o plano de metas

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A década de 1950 e o
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Programa de Metas *
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Ulisses Guimarães, Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek (sentados) e Nelson de Mello (em pé), entre outros.
ARQUIVO UUSSES GUIMARÃES. Cpooc/FGY.

Clovis de Faro ** Salomáo L. Quadros da Silva ***

Recém-saídas da chamada de desempenho econômico, os anos 1980; após racterizados, em termos década perdida, como ficaram tristemente caum 1990que marcou uma das quedas de produção das mais dramáticas de nossa história; e ainda por cima vivendo em plena recessão e com altas taxas de inflação no ano de 1991, não é sem saudosismo que olhamos para o período em que fomos governados pelo presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Afinal de contas, embora associados a um certo descontrole das contas públicas, os anos JK (1956-60) foramfundamentalmente marcados por altas taxas de crescimento econômico e por uma boa dose de otimismo. Levando-se em conta que o êxito da administração JK pode ser diretamente creditado a uma das nossas mais bem-sucedidas experiências de pla••Agradecemos a Antônio Adorno Filho e a Maria das Graças E. Alimandro, da equipe do Banco de Dados do Ibre/FGV. ••••Diretor da Escola de Pós-Graduação em Economia(EPGE), da FGV. ••••••Chefe do Centro de Estatísticas e Análises Econômicas do lbre/FGV

ill'j:illlCIIIOccontllllico, consubstanciada no quc roi dcnominado Programa de Melas, 6 oportuno que, contando com a perspectiva propiciada pelos quase 50 anos decorridos desde sua concepção, se faça um retrospecto. Fique claro, porém, que, não tendo como objetivo uma análise econômica, no seu sentido formal,nossa apresentação terá um caráter mais informativo, meramente acompanhado de alguns comentários gerais. Este texto compõe-se de duas partes. Na primeira, o ano de 1955 é tomado como momento-chave para se traçar um quadro da economia brasileira da época. Na segunda, o Plano de Metas está em foco: seus antecedentes, seus objetivos e também seus resultados são, mesmo que brevemente, historiados.I'IO).',I:lllla gOVl:J'I\O. de i\quell: Brasil, de estrutura ecollÔmica aillda ll:llla () bastanle para abrigar os vôos da imaginação desenvolvimentista, estava pronlO para ser modelado. O molde deveria envolver um país "essencialmente" agrícola, pelo menos assim diziam as estatísticas. Dos 51.944.397 brasileiros recenseados em 1950,33.161.506 habitavam zonas rurais. Na mesma data, de uma populaçãoeconomicamente ativa de 17.117,4 milhares de pessoas, 10.369,9 trabalhavam no setor agropecuário, que absorvia 29% da renda nacional. Em 1955, o setor agrícola ainda era essencialmente cafeeiro. O café respondia por 30% do valor da produção vegetal, que por sua vez contribuía com mais de 70% do valor da produção agropecuária. Tão merecedora de destaque era a pe7formance dessa cultura que as sérieshistóricas de produto agrícola, exportações e preços por atacado desdobravam-se, cada uma, em outras duas, com e sem café, capazes de apresentar resultados contraditórios e até mesmo diametralmente opostos. O indicador mais cintilante da soberania econômica do café era o seu peso nas exportações. Em 1955, o país exportou o equivalente a US$1.419 milhões em mercadorias, 60% dos quais provenientesdas vendas de café. A conversão para cruzeiros dessa receita cambial se fazia à taxa de Cr$37,06 por dólar. Enquanto isso, no mercado livre, o dólar era negociado a Cr$66,75. A Instrução nº 70 da Sumoc, de 1953, que segmentou as pautas de exportação e importação, atribuindo a algumas categorias taxas de câmbio próprias e deixando ao mercado a tarefa de atribuí-Ias às demais, reduziu parcialmenteas perdas do setor cafeeiro. Classificado na categoria inicial, cuja taxa, com a instrução, passou a valer Cr$23,36, após seis anos de vigência da paridade de Cr$18,36, fixada em acordo com o FMI, o café exportado começou a receber o pagamento de bonificações, custeadas pelos ágios dos leilões de câmbio para as importações. Os exportadores de café nunca chegaram a ver nessas bonificações a...
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