Iracema e o romantismo

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IRACEMA E O ROMANTISMO

Fidelis Carbonera





Não há dúvida que o livro Iracema de José de Alencar seja sua obra prima. Até o crítico Machado de Assis foi da mesma opinião.

De fato, dizem os entendidos que é nitidamente prosa poética, um livro poesia esta Lenda do Ceará.
O autor, realmente, procurou trabalhar a linguagem, dando, não apenas sentido metafórico, mas até alegórico atantas passagens.

No nosso modo de entender, é o livro que melhor caracteriza o Romantismo brasileiro, pois apresenta todas as características românticas.

O objetivo a que nos propomos, portanto, é comprovar, através de passagens desta maravilhosa obra, todas as características mais importantes do Romantismo (as mundiais e as específicas brasileiras).

CARACTERÍSTICAS ROMÂNTICAS EM IRACEMAComo o Romantismo surgiu na Europa, na França, precisamente, algumas características não próprias do velho continente como o retorno à Idade Média, a religiosidade...; outras, são comuns, universais, como o subjetivismo, sentimentalismo, idealização...; e algumas são mais próprias do nosso continente, ou brasileiras, como o indianismo e ou nacionalismo, valorização da natureza, nossas terras,matas, aves, animais...

Iniciando pelas características mais comuns, tentaremos exemplificá-las com passagens da obra.

Subjetividade.

O subjetivismo do texto romântico não se caracteriza somente pelo culto do eu, mas também pela criação de uma história que, mesmo em 3ª pessoa, não deixa de ser subjetiva porque os fatos, personagens, comportamentos, lugares... são criações não existentes nomundo real, mas imaginações, fantasias, divagações, anseios .... do autor .

No livro Iracema, o índio criado por Alencar está longe de ser aquele que vivia nas matas brasileiras e que ainda não tinha visto o homem branco ( "Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho,..." (cap. II) e "...de estranha raça e longes terras." ( cap.III ). A hospitalidade oferecida a Martim ("Oestrangeiro é senhor na cabana de Araquém. Os tabajaras têm mil guerreiros para defendê-lo, e mulheres sem conta para servi-lo. Dize, e todos te obedecerão" (cap. III) e "mas o hóspede de Tupã é sagrado; ninguém o ofenderá"; (cap. XI) pelo pajé, Araquém, não foi praticada por nenhum povo no longo da História.

Sentimentalismo

Em primeiro lugar, esta característica não está baseada na impressãoque o leitor sente no curso da leitura, mas os estados de espírito que os personagens apresentam no transcorrer das ações.

O sentimentalismo está presente em toda a obra, desde os primeiros capítulos, principalmente no que diz respeito à personagem Iracema que sabe Martim ter outra, não acreditando que o que o protagonista sente é a saudade da pátria e não amor por outra moça.

Há frases emque o autor foi categórico:

"Sofreu mais d’alma que da ferida." ( II cap .) . "O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. ( idem )

No capítulo X, início, o autor apresenta o ciúme da ará que se vê substituída pelo guerreiro branco. No XIX, Martim abraça uma árvore:

"- Jatobá, que viste nascer meu irmão Poli, o estrangeiro te abraça"; para demonstrar, além do sentimento, aintegração do homem com a natureza.



Evasão ou Escapismo .

O inglês Byron, com seu negativismo, transmitiu esse sentimento a vários escritores brasileiros inclusive ao Alencar que, no livro aqui em questão, apresentou nas suas formas mais variadas:

- Evasão no tempo histórico. Neste caso, o cavaleiro medieval foi substituído pelo índio que é um verdadeiro guerreiro, cavalheiro,respeitador, corajoso... Podemos citar Poti, Caubi, Araquém...

- Evasão na religião:

"O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe..." ( II cap.). "O cristão repeliu do seio a virgem indiana. Ele não deixará o rasto da desgraça na cabana hospedeira. Cerra os olhos para não ver; e enche sua alma com o nome e a veneração de seu Deus: - Cristo !... Cristo! ..." ( cap. XV ).

Observa-se, na...
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