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  • Publicado : 11 de junho de 2012
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A crise do euro e o BrasilEliane de Carvalho
Quando cheguei na Espanha, em 2006, o país vivia um excelente momento econômico e uma das coisas que mais me chamava a atenção era a quantidade de guindastes pendurados em todo o horizonte. Tanto fazia se estivesse em Barcelona ou em qualquer outro lugar do país, o crescimento imobiliário era um dos aspectos mais visíveis da pujança econômicaespanhola.

Os preços beiravam a estratosfera. Um apartamento de cem metros quadrados e bem localizado, em Barcelona, ultrapassava a cifra de um milhão de euros. O mercado estava aquecido, havia liquidez e crédito fácil, que foram seguidos por dívidas e mais dívidas. Uma hora a bolha tinha que estourar e não podia ter sido em pior momento: pouco antes do início da crise financeira internacional, em2008.

A partir daí, a curva passou a ser descendente e a Espanha já não pôde cumprir os limites de dívida e déficit, impostos pela União Européia. Mas o problema é muito maior que a Espanha. A crise de dívida pública européia é alardeada em todos os meios de comunicação e para marcar os países em piores condições na Europa, foi criada a sigla Pigs (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha -Spain, dagrafia em inglês), que dá margem à muitas interpretações!

Pois um dos porquinhos, aliás o menor deles, está fazendo a Europa cambalear. A Grécia sempre foi um problema para a UE, porque nunca fez o dever de casa, desde sua entrada no clube. A economia doméstica está mergulhada em um déficit acumulado de 40 pontos do PIB, quando o Plano de Estabilidade e Crescimento europeu determina um limite de3%.

O país perdeu a capacidade de honrar seus compromissos financeiros e para evitar a quebra, pediu socorro à UE. Em maio de 2010, o Banco Central Europeu começou o trabalho de resgate ao comprar os bônus da dívida grega, apesar da forte oposição alemã, a principal economia européia. Em agosto daquele ano, o programa de compra de dívida soberana do BCE foi reativado para ajudar à Itália eEspanha. O resgate aos três países já custou ao Banco um total de 120 bilhões de euros.

Agora, o governo de Atenas precisa receber os 8 bilhões previstos da sexta remessa do pacote de resgate, urgentemente, mas a UE não se põe de acordo. O governo alemão já declarou que não quer se endividar em conjunto com seus sócios. A pressão chegou ao ponto do economista-chefe do BCE, o alemão Jurgen Stark, sedemitir por se opor à compra da dívida grega.

O presidente do Eurogrupo (formado pelos ministros de economia e finanças dos países da zona do euro, Comissário Europeu de Assuntos Econômicos e Monetários e presidente do Eurogrupo), Jean-Claude Juncker, já avisou que só decidirá sobre a Grécia após ler o relatório da troika (formada pela Comissão Européia, BCE e Fundo Monetário Internacional),que deverá estar pronto no começo de outubro. O relatório informará se a Grécia cumpre os compromissos de redução de déficit, reformas estruturais e privatizações.

Até o momento, o FMI tem sido complacente em relação às iniciativas européias de resgate dos países endividados da zona euro e é preciso lembrar que a Europa tem um grande poder sobre o Fundo, que reflete o pensamento dominante. Restasaber se o FMI atuará com o mesmo rigor fiscal, que tradicionalmente oferece a clientes com menos influência política.

Se a Grécia não paga suas dívidas e quebra, a crise pode ter um efeito cascata nos 17 países, que adotam o euro como moeda e ir muito mais além.

Somada à crise de dívida soberana, a Europa enfrenta ainda o risco de uma crise bancária. Segundo o FMI, os bancos europeustiveram uma perda de valor de 400 bilhões de euros, um recuo de 40%, entre janeiro e agosto.

A persistência dos problemas financeiros chamaram a atenção para outra debilidade do velho continente: o dilema político. A incapacidade para lidar com o problema da Grécia, uma das menores economias da região, inspira pouca confiança sobre a habilidade para abordar ameaças muito maiores apresentadas pela...
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