Hora da verdade e a bruxa da linguagem

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Hora da Verdade: Clarice, a bruxa da linguagem


BEHREND, Neusa Francisco – FACCAR (PG)


RESUMO: Este artigo visa traçar um panorama sobre o misticismo habitado no interior da pessoa Clarice Lispector, que consegue incutir no discurso, temas como possibilidade de ampliação dos estudos sobre a criatividade da escritora. A artista praticante de um estilo rebuscado efechado numa combinação ficcional e filosófica, é qualificada pelas análises de introspecção psicológica. A Numerologia é uma das vias de acesso ao interior do mundo da autora, onde o romance privilegiado para análise foi A Hora da Estrela.
Palavras chave: linguagem, misticismo; numerologia.

ABSTRACT: This article aims to work air an overview on the mysticism of the person livinginside Clarice Lispector, which can give the speech, subjects and ability to expand the studies of the creativity of the writer. A practicing artist and a mannered style combines a closed the fictional and phyla is qualified by analises of introspect the psicologic. The Numerology route of access to the inner world of the author, where the novel choice for analysis was The Hour of the Star.Keywords: language, mysticism, numerology.


Introdução


“Haverá um ano em que haverá um mês, em que haverá uma semana em que haverá um dia em que haverá uma hora em que haverá um minuto em que haverá um segundo e dentro do segundo haverá o não-tempo sagrado da morte transfigurada.”(Clarice Lispector).
Esta é a Clarice, misteriosa, nascida Haia durante o percurso,na pequena aldeia de Tchechelnik – distrito de Olopoko - Ucrânia, aos 10 de dezembro de 1920[1], quando os pais Pinkouss e Mania faziam em direção à América. Ao chegarem a Maceió – Alagoas, Clarice tinha 2 meses, permanecendo lá por 3 anos e meio. Foram para o Recife, onde passou sua infância, perdendo a mãe, ainda menina. Escrevia textos que nunca foram publicados, e aos 9 anosescreveu uma peça teatral de três atos: “A pobre menina rica.” Em 1934 a família se muda para o Rio de Janeiro. Após a morte do pai em 1940, iniciou o trabalho como redatora na Agência Nacional. O primeiro conto publicado foi “O Triunfo” na Revista Pan em 25 de maio de 1940.
O ano de 1943 foi de grandes realizações: casou-se com o embaixador Maury Gurgel Valente;terminou o curso de Direito e estreou na literatura com o romance Perto do Coração Selvagem, que teve ótima acolhida da crítica recebendo o Prêmio Graça Aranha, e em 1954 teve publicação em francês. Em 1944, recém-casada viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, no ano de 1959 separou-sedo marido e fixou residência no Rio de Janeiro com os dois filhos. Outro fato marcaria sua vida em 1967, quando na madrugada do dia 14 de setembro, seu apartamento fica em chamas, pelo fato de Clarice ter adormecido fumando. Ao acordar, tenta apagar o fogo com as mãos, buscando também salvar os papéis do escritório. Fica gravemente ferida, sobretudo na mão direita, a que usava paraescrever. Vítima de câncer, Clarice faleceu às dez e meia do dia 9 de dezembro - sexta-feira, e de acordo com o costume judeu, não pôde ser enterrada no dia seguinte, um sábado, também o dia do seu aniversário. Foi enterrada no domingo, dia 11 de dezembro, no Cemitério Comunal Israelita. Entre suas obras mais importantes estão a reunião de contos: A Legião Estrangeira (1964) e Laços deFamília (1972) e os romances Perto do Coração Selvagem (1943), A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977).
Escrever sobre a arte literária de Clarice Lispector, requer aprofundamento de suas obras, no entanto, A Hora da Estrela, romance de análise deste artigo, foi minha primeira experiência de entrar neste mundo, onde vamos decifrando sentimentos expressos...
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