Guerra

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Prática de leitura e escrita

Justificativa

Nenhum motivo explica a guerra
Ensino Médio 1

A  Prática  de  leitura  aqui  proposta  busca  fazer  convergir  em  uma  sequência  de  atividades  coletivas  dois 
eixos de trabalho: a temática da violência e das possibilidades de resolução de conflitos no cotidiano e o 
trabalho  com  diferentes  manifestações  artísticas  (que envolvem  diferentes  linguagens  e  a 
multimodalidade) como foco de análise e reflexão sobre a questão. 
No  que  se  refere  à  questão  da  violência,  há  que  se  destacar  a  amplitude  deste  debate  e,  portanto,  a 
necessidade  de  fazermos  desde  já  um  recorte  acerca  das  situações  a  serem  focalizadas  nesta  Prática  de 
leitura.  
Para  tanto,  recorreremos  de forma  bastante  breve  a  uma  perspectiva  de  compreensão  da  violência 
enquanto fenômeno social e histórico, portanto produto e produtor das relações sociais 2 .  
Dessa forma, compreender e definir o que são atos violentos requer olhar, além da resultante do ato em 
si,  para  o  contexto  em  que  ocorre  e  para  o  percurso  histórico  que  levou  à  compreensão  daquela violência  enquanto  tal.  Por  exemplo,  o  trabalho  infantil,  na  época  da  Revolução  Industrial,  não  era 
considerado situação de violência contra a criança tal como nos dias de hoje. 
De  forma  geral,  se  tomarmos  basicamente  o  senso  comum  como  parâmetro,  teremos  uma  ideia  de  que é violenta a situação em que há agressão física do outro, com intenção de causar dor ou sofrimento.  
Mas, e se não há agressão física? Se a ação intencional de um, causa dor e sofrimento mental ao outro? 
São  situações  de  agressões  verbais,  humilhações,  zombarias,  discriminações,  dentre  outras,  que,  não 
incorrem  necessariamente  em  agressões  ao  corpo,  mas  que  constituem  microviolências  e  ações 
discriminatórias (Abramovay, Cunha e Calaf, 2009).
São  para  essas  situações cotidianas  que  pretendemos  jogar  luz  com  as  atividades  aqui  propostas. 
Situações  que,  muitas  vezes,  passam  despercebidas  ou  são  tratadas  com  indiferença  por  aqueles  que  a 
presenciam, o que dificulta sobremaneira a abordagem dessas situações na direção de uma resolução.  
A  pesquisa  de  Abramovay  et  alli  (2009)  destaca  a  variabilidade  de  situações  de violência  entre  os 
diferentes  participantes  da  comunidade  escolar,  no  Distrito  Federal.  Apenas  para  ilustrar  a  forte 
presença  de  atitudes  violentas  no  espaço  escolar,  os  dados  da  pesquisa  mostram  que  74,9%  dos  alunos 
                                                            
1

 Elaborada por Marisa Vasconcelos Ferreira e Jacqueline Peixoto Barbosa.   Para  aprofundar  a  leitura  sobre  o  tema  da  violência,  você  pode  ler  a  Introdução  da  publicação  Revelando  tramas,  descobrindo  segredos: 
violência  e  convivência  nas  escolas,  de  Miriam  Abramovay  (coord.);  Anna  Lúcia  Cunha  e  Priscila  Pinto  Calaf.  Essa  publicação  traz  dados  de 
uma  pesquisa  realizada  em  escolas  de  Ensino  Fundamental  do Distrito  Federal  que  buscou  elaborar  um  diagnóstico  acerca  dos 
relacionamentos  entre  os  diferentes  atores  da  comunidade  escolar  e  as  violências  do  cotidiano.  A  pesquisa  está  disponível  em 
http://www.ritla.net/index.php?option=com_content&task=view&id=5512&Itemid=1 
2


  afirmam saber que ocorrem xingamentos nos espaços escolares, 45,3% já sofreram essa agressão verbal 
e 31,3% reconhecem tê‐la praticado.  
O  xingamento  ainda,  se  focarmos  o  teor,  geralmente,  refere‐se  a  alguma  característica  pessoal  que  é 
alvo  de  discriminação  ou  de  estereótipos.  Não  são  poucos  os  xingamentos  que  se  referem  a  negros, 
mulheres, homossexuais, nordestinos, pessoas mais gordas ou magras etc.  ...
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