Gerenciamento de crises policiais

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  • Publicado : 13 de abril de 2012
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Ocorrências com reféns – A sociedade terá que conhecer o emprego da força letal

Ocorrência com reféns localizados; situação que ocorre eventualmente e exerce um forte poder de atração por parte da sociedade e conseqüentemente de todos os veículos de imprensa por colocar à prova o aparato público. Vários aspectos no gerenciamento desse tipo de crise já foram sedimentados na doutrina vigente,desde a importância do isolamento da área, dos perímetros de contenção, das relações com a imprensa, do perfil do negociador, das técnicas de negociação, da importância da definição de papéis e inclusive a questão da troca de reféns, neste último particular é imperativo ressaltar que, o gerente da crise deve ter em mente que, o princípio a ser seguido é não aumentar mais a gravidade dos fatos. Nãose deve adotar nenhuma postura que aumente a complexidade da situação, não só sob o ponto de vista do resultado, mas também sob o fundamental aspecto dos métodos e processos que conduzirão até ele. Na situação de refém, se uma vida está em jogo e se essa vida for trocada por outra, continuar - se- á no mesmo cenário; com uma diferença primordial: no primeiro cenário a responsabilidade recaitotalmente sobre o criminoso, enquanto que na situação de se trocar um refém, caso algo aconteça, a responsabilidade será também daquele que autorizou. É fato que o objetivo do gerenciamento de crise é convergente à busca de uma solução aceitável, caracterizada pela preservação de todas as vidas, pela aplicação da lei e pelo pronto restabelecimento da ordem e, nesse sentido, a alternativa táticadenominada negociação tem sido bastante estudada e desenvolvida, pois é ela a que mais pode aproximar-se desse objetivo maior, enquanto que as outras três alternativas existentes, quais sejam: emprego de técnicas não letais, tiro de comprometimento ou mesmo a invasão tática distanciam-se desse mesmo objetivo, ainda que em parte de acordo com situação.

Em que pese à existência de vários negociadores,nacional e internacionalmente habilitados e as aspirações institucionais das polícias de se diminuir consideravelmente os níveis de letalidade em suas ações, é preciso compreender e aceitar que existe o dia, quando necessariamente é preciso sacrificar a vida de um criminoso para se salvar a vida de um refém inocente. Tal dilema não apresenta muitos problemas para sua análise e decisão sob o pontode vista técnico, uma vez que durante o processo de negociação, é possível perceber os chamados indicadores de violência que sinalizam um grau de risco superior; à medida que se observam comportamentos tais como: agressões físicas, disparo de arma, consumo de drogas, atitudes típicas de menosprezo à vida e outras da mesma natureza, entretanto, um outro componente, embora não previsto na doutrina,está sempre presente nessas situações, trata-se do componente político. É basilar que em uma ocorrência com refém existe o compromisso de empenho da polícia em todas as facetas que lhe são pertinentes, a isso chamamos de fatores controláveis; ocorre que existem também os fatores não controláveis, sobretudo aqueles cujo detentor principal é o criminoso tomador de reféns; nesta relação, o processo denegociação tem por fim harmonizar interesses difusos, mas não pode ser entendido como absoluto neste mister, caso contrário não haveria o por quê de termos as outras alternativas. É preciso que as autoridades com poder de decisão e que a sociedade se preparem para um desfecho onde se utilize inclusive a força letal no estrito cumprimento do dever legal e na legítima defesa de um terceiroinocente. É sabido que essa situação é de aplicação excepcional, até porque usualmente a tipologia mais usual do criminoso que faz refém em nosso país é a do denominado criminoso comum, ou seja, não é o terrorista com ideologia política, dificilmente um psicopata, mas sim, quase sempre, um criminoso que teve sua fuga cerceada pela polícia e faz o refém com o único propósito de preservar a própria vida e...
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