Generos textuais

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O TRABALHO COM GÊNEROS TEXTUAIS NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
 
 
Orientadora: Profa. Dra. Rosana C. Novaes Pinto
Orientado: Angelo Leonardo Mondin1
 
Este trabalho é derivado de uma pesquisa realizada em 2004, para a disciplina HL 320, Gramática I, e que teve como desdobramentos um artigo apresentado em 2005, no 2o. SEPEG, e um projeto de Iniciação Científica, que está se iniciando em2006. Algumas questões pelas quais me interesso foram levantadas por professores de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental e Médio que freqüentaram o projeto Teia do Saber, oferecido pelo IEL-UNICAMP, dentre as quais questões relacionadas ao trabalho de leitura e de escrita, o ensino de norma padrão e o ensino de gramática.
Muitos autores, sobretudo lingüistas, têm se interessado pelas questõesde ensino de língua(gem). Possenti (1996: p.17) afirma que o papel da escola é ensinar o português padrão, desde que se desmistifique algumas crenças a respeito do que é uma língua: não há língua homogênea, não há língua uniforme, todos os que falam sabem falar, não se deve ensinar aquilo que os falantes já sabem, etc.
A respeito do quê deve ser ensinado, por exemplo, Cagliari (2003: p.101)afirma que “nas escolas de periferia, alguns alunos não participam com empenho do aprendizado da escrita2, porque acham que a escola faz o que não lhes interessa e deixa de fazer o que seria útil para eles”. Sobre o processo da escrita, o autor afirma que não basta saber escrever para escrever. É preciso ter uma motivação para isso. [...] A arte literária não é motivação para a escrita para todas aspessoas, pelo contrário, penso que o é de fato para poucas”.
Pude constatar todos estes aspectos em uma pesquisa de campo realizada numa 8ª série de uma escola estadual em Campinas, São Paulo, em setembro de 2004. Apliquei um questionário que levavam em conta os textos, a leitura e a escrita do cotidiano do aluno dentro e fora do contexto escolar. Verifiquei que 53,85% dos alunos entrevistados nãolêem os textos dos livros didáticos todos os dias, 38,46% não gostam de escrever e 53,85% disseram usar a escrita apenas para atividades ligadas ao contexto escolar e que consistem, de acordo com 36,46%, em atividades do livro didático (o que nos permite entender o porque daqueles 38,46% não gostarem de escrever. 46,15% nem mesmo souberam explicar no que consistiam essas atividades3. Issocorrobora a afirmação de Cagliari (2003: p.102), de que “a maneira como a escola trata o escrever leva facilmente muitos alunos a detestar a escrita e em conseqüência a leitura, o que é realmente um irreparável desastre educacional”. Um exemplo que demarca bem o tratamento dispensado por alguns docentes à questão da leitura e da escrita encontra-se na fala de uma docente que, diante da classe, me disse arespeito de sua classe (3° ano do ensino médio): Se eles saírem daqui sabendo decodificar o que está escrito e escrever o nome, tenho por cumprida a minha tarefa.
Outro agravante é quando, associado a tamanho descaso, se considera o fato de que o ensino normalmente está centrado em regras ultrapassadas, em variantes que não são mais faladas atualmente e que, ainda assim, são solicitadas. Comoexemplo desse descompasso, Bagno (2000: p.37) afirma que “o professor pode mandar o aluno copiar quinhentas mil vezes a frase: “Assisti ao filme”. Quando esse mesmo aluno puser o pé fora da sala de aula, ele vai dizer ao colega: “Ainda não assisti o filme do Zorro!.” A metodologia utilizada pela escola para que os alunos adquiram a norma padrão é completamente inadequada e pode ser resumida nacitação de Possenti (1996: p. 24):
(...) se ele dá aos alunos exercícios repetitivos (longas cópias, exercícios estruturais, preenchimento de espaços vazios etc.), é porque está seguindo (saiba ou não – daí a importância de ter idéias claras!) uma concepção de aquisição de conhecimento segundo a qual não há diferenças significativas entre os homens e os animais em nenhum domínio de aprendizagem ou...
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