Gabriela,cravo e canela

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crônica de uma
cidade do interior

Posfácio de José Paulo Paes

Copyright © 2008 by Grapiúna produções artístiCas Ltda.
1a edição, Livraria Martins editora, são paulo, 1958

Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990,
que entrou em vigor no Brasil em 2009.
Consultoria da coleção

i Lana seLtzer GoLdstein

Capa
kiko farkas/ Máquina estúdio
MateusvaLadares/ Máquina estúdio

Cronologia

iLana seLtzer GoLdstein
CarLa deLGado de souza

preparação

denise pessoa

revisão

juLiane kaori
GabrieLa Morandini

atualização ortográfica
páGina viva

texto estabelecido a partir dos originais revistos pelo autor. os personagens e as situações desta
obra são reais apenas no universo da ficção; não se referem a pessoas e fatosconcretos, e não emitem
opinião sobre eles.

dados internacionais de Catalogação na publicação (Cip)
(Câmara brasileira do Livro, sp, brasil)
amado, jorge, 1912-2001.
Gabriela, cravo e canela : crônica de uma cidade do interior
/ jorge amado ; posfácio de josé paulo paes. — 2a ed. — são
paulo : Companhia das Letras, 2012.
isbn

978-85-359-2098-7

1. romance brasileiro i . paes, josé paulo. i i. título.
12-04293

Cdd -869.93

índice para catálogo sistemático:
1. romances : Literatura brasileira 869.93

2012
todos os direitos desta edição reservados à
editora sChwarCz s . a .
rua bandeira paulista, 702, cj. 32
04532-002 — são paulo — sp
telefone: (11) 3707-3500
fax: (11) 3707-3501
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www.blogdacompanhia.com.br

priMeira parte

aventuras &desventuras de uM boM brasiLeiro
(nasCido na síria) na Cidade de iLhÉus, eM 1925,
quando fLoresCia o CaCau & iMperava o proGresso
CoM
aMores, a ssassinatos, banquetes, presÉpios,
histórias variadas para todos os Gostos,
uM reMoto passado GLorioso
de nobres soberbos & saLafrários,
uM reCente passado
de fazendeiros riCos & afaMados jaGunços,
CoM
soLidão & suspiros, desejo, v inGança ,ódio,
CoM
Chuvas e soL
&
CoM
Luar , Leis infLexíveis, M anobras poLítiCas,
o apaixonante Caso da barra ,
CoM
prestidiGitador , dançarina , M iLaGre
&
outras MáGiCas
ou

uM brasiLeiro das arábias

C apítuLo priMeiro

o LanGor de ofenísia
(que muito pouco aparece mas nem por isso é menos importante)
Neste ano de impetuoso progresso…
(de um jornal de ilhéus, em 1925)

rondó deofenísia

E scutai, ó meu irmão,
Luiz Antônio, meu irmão:
Ofenísia na varanda
na rede a se balançar.
O calor e o leque,
a brisa doce do mar,
mucama no cafuné.
Já ia fechar os olhos
o monarca apareceu:
barbas de tinta negra,
ó resplendor!
O verso de Teodoro,
a rima para Ofenísia,
o vestido vindo do Rio,
o espartilho, o colar,
mantilha de seda negra,
o sagui que tu me deste,
tudoisso de que serve
Luiz Antônio, meu irmão?

São brasas seus olhos negros,
(— São olhos do imperador! )
incendiaram meus olhos.
Lençol de sonho suas barbas
(— São barbas imperiais! )
para o meu corpo envolver.
Com ele quero casar
(— Com o rei não podeis casar! )
com ele quero deitar
em suas barbas sonhar.
(— Ai, irmã, nos desonrais! )
Luiz Antônio, meu irmão,
que esperais pra me matar?Não quero o conde, o barão,
senhor de engenho não quero,
nem os versos de Teodoro,
não quero rosas nem cravos
nem brincos de diamante.
Tudo que quero são as barbas,
tão negras do imperador!
Meu irmão, Luiz Antônio,
da casa ilustre dos Ávilas,
escutai, ó meu irmão:
se concubina não for
do Senhor imperador
nessa rede vou morrer
de langor.

do soL & da Chuva CoM pequeno MiLaGrenaquele ano de 1925, quando floresceu o idílio da mulata Gabriela e do
árabe nacib, a estação das chuvas tanto se prolongara além do normal e necessário que os fazendeiros, como um bando assustado, cruzavam-se nas ruas a
perguntar uns aos outros, o medo nos olhos e na voz:
— será que não vai parar?
referiam-se às chuvas, nunca se vira tanta água descendo dos céus, dia e
noite, quase sem...
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