Fluidez na leitura

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1244 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 4 de outubro de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
UNIVERSIDADE DO MINHO
Mestrado em educação

A fluidez na leitura

O PAPEL DOS OLHOS NA LEITURA
Na opinião de José Brunet e Alain Défalque( 1989 :24), um bom leitor lê bem em todas as formas de comunicação escrita. Seja qual for o suporte em que se apresente a leitura, capta correcta e facilmente o seu conteúdo. Para isso, ele, o leitor,precisa possuir uma habilidade visual que responda às exigências da leitura escrita.
Um pouco de história sobre o estudo dos movimentos dos olhos no acto de ler:
Émile Javal é reconhecido por todos, como o pai do estudo experimental no processo de leitura. Descobriu que o movimento horizontal dos olhos durante a leitura, longe de ser contínuo, realiza-se por sacudidelas.Lamare, ajudante de Javal, vai mais longe e procura descobrir quantas letras pode caber em cada “corte”, ou seja, saber o número de letras que se podem ler de uma só vez e a extensão que ocupam. Rapidamente se notou ser insuficiente a mera observação dos olhos e procurou-se obter registos e gravações gráficas mais precisas.
a) o método do espelho – já utilizado pela equipa de Javal, permitia vere contar os movimentos dos olhos. O leitor senta-se a uma mesa onde está um livro e à frente deste um espelho. O observador, sentado junto ao leitor, segue no espelho os movimentos dos olhos e conta o número de paragens ou fixações do olho em cada linha do texto.
b) Método Miles- Em 1928, o «Peep Hole Method» de Miles , renovou o método de observação directa. Cola-se um texto impresso numaficha de cartão. No meio da página, no espaço entre linhas, abre-se um pequeno orifício. O observador coloca-se por trás dessa página e através do orifício, segue o movimento dos olhos do leitor. Mais tarde este método aperfeiçoou-se utilizando o «telescópio».

Contudo esta observação directa apresentava resultados imprecisos e de alcance limitado e a investigação encaminhou-se para métodos deregisto ou gravação dos movimentos dos olhos. Primeiro as gravações mecânicas, depois as gravações sobre filme, método que foi aperfeiçoado sucessivamente em 1930, 1934, 1937 e 1945. Com ele obtiveram-se resultados interessantes através do aparelho conhecido pelo nome de “oftalmógrafo”. O observador, colocado diante do aparelho e frente ao leitor, vigia o registo gráfico dos raios luminososreflectidos sobre uma película.

Surgiu também um outro procedimento, que consistia em registar as variações de potencial eléctrico, que se produzia nas regiões “perioculares” em cada movimento dos olhos.

O olho é um sistema polarizado cuja parte posterior, a retina, é negativa; e a parte anterior, a córnea, é positiva ( como se pode ver na figura).
Sobre um sobreposição de lentes colocam-sevários fios de cobre em espiral, cujas extremidades se apoiam no olho, previamente anestesiado com cocaína. Estes fios, que actuam como eléctrodos, uniam-se a um “galvanómetro” de corda, que registava uma deflexão em cada movimento dos olhos. Estas deflexões transmitidas a um “electrocardiógrafo”, proporciona um gráfico semelhante ao obtido pelas gravações em película.
Desde 1929 , os eléctrodoscolocavam-se já nas regiões “perioculares”, que permite registar ao mesmo tempo os movimentos horizontais e os verticais, segundo a figura seguinte.

Após este breve resumo dos diversos métodos utilizados sobre os movimentos dos olhos na leitura, os estudiosos deixaram-nos as seguintes conclusões: (Idem: 32-3 3)
1ª Os movimentos dos olhos, durante a leitura, são descontínuos. Os olhosmovem-se sobre as linhas dum texto impresso aos saltos e com momentos de detenção ou fixações. A leitura só se realiza nesses momentos de detenção ou fixações dos olhos.
2ª A leitura só se realiza durante as fixações dos olhos.
3ª As detenções ou fixações dos olhos abarcam entre 12/13 e os 23/24 do tempo global de leitura.
4ª Estas detenções ou fixações não seguem um ritmo regular ao...
tracking img