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A transicionalidade
Magale de Camargo Machado[1]


O estudo sobre este termo terá como ponto de partida base num conceito desenvolvido por Winnicott, autor que dedicou seu estudo da psicanálise com o tratamento ao infantil, ou seja, das crianças. No livro chamado “O Brincar e a Realidade”, publicadona primeira edição inglesa em 1971, este autor intitulou o primeiro capítulo: “Objetos Transicionais e Fenômenos Transicionais”.


Este conceito descreve uma experiência inicial na vida humana situada desde, aproximadamente, os 6,8 meses de idade. Relaciona o objeto transicional como presente numa zona de experimentação entre as experiências de satisfação como sugar o polegar, os punhoscomo estimulação da zona oral, nas quais situa a satisfação auto-erógena, e as brincadeiras que mais tarde a criança vai manifestar com bonecos e outros objetos, estando estas mais direcionadas a uma relação já mais externa, com o meio ambiente da criança. É quando ele escreve:


Introduzi os termos ‘objetos transicionais’ e ‘fenômenos transicionais’ paradesignar a área intermediária de experiência entre o polegar e o ursinho, entre o erotismo oral e a verdadeira relação de objeto, entre a atividade criativa primária e a projeção do que já foi introjetado, entre o desconhecimento primário de dívida e o reconhecimento desta. (Winnicott, 1975, p. 14)


Esta área intermediária de experimentação do bebê vai sendo relacionada com a posição ocupadapor um determinado objeto, ao qual a criança se apega em especial, o canto de um cobertor, de uma fralda, um urso em especial, entre outros possíveis. Estes passam a acompanhar a criança sistematicamente principalmente nos momentos de frustração, na hora do choro, do sono, construindo uma defesa contra a ansiedade como refere o autor. A este período de depressão, conforme Winnicott, podemosrelacionar o momento em que a criança se depara com a impossibilidade da realização do seu desejo. Também podemos pensar como momentos iniciais da vida em que o sujeito se vê às voltas da sustentação de si frente às complexidades da vida humana.


Diante disso, o autor situa como pontos importantes neste conceito:


a natureza do objeto; a capacidade dobebê de reconhecer o objeto como ‘não-eu’; a localização do objeto fora, dentro, na fronteira e a capacidade do bebê criar, imaginar, inventar, originar, produzir um objeto e o início de um tipo afetuoso de relação de objeto. (Winnicott, 19975, P. 14)


O objeto transicional vem a ser um meio de construção de uma relação com um objeto que se consolida na relação com a exterioridade pelaoferta, pelo investimento, pela nomeação do objeto, que vem do outro. Contudo o bebê não o percebe como externo a si. Nesta relação vai se construindo a dimensão do “não eu”, do diferente de si. “Reivindico aqui um estado intermediário entre a inabilidade de um bebê e sua crescente habilidade em reconhecer e aceitar a realidade” ( Winnicott, 1975, p.15).


O objeto transicional situa uma dasprimeiras experiências de distinção do objeto do seu próprio corpo, mas não sendo tomado como um objeto externo a si. Sua posição é de uma intermediação. Nesta construção do objeto se vincula o pensamento, a fantasia, a imaginação. Winnicott contrapõe a idéia do objeto transicional a ser considerado como um objeto interno, nem tampouco um objeto externo, problematizando o duplo enunciado entre ointerno e o externo:
Minha reivindicação é a de que, se existe necessidade desse enunciado duplo, há também a de um triplo: a terceira parte da vida de um ser humano, parte que não podemos ignorar, constitui uma área intermediária de experimentação, para a qual contribuem tanto a...
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