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  • Publicado : 10 de abril de 2013
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ordon Gekko segue fascinante, mas Oliver Stone não consegue repetir a relevância ou a dinâmica central do primeiro filme.
Em 1987, Oliver Stone lançou Wall Street – Poder e Cobiça (Wall Street), que se tornou um dos filmes mais importantes daquele ano. Mesmo não figurando entre os seus melhores trabalhos, a produção ganhou certa reputação ao longo de duas décadas por dois fatores: primeiro, porser um retrato crítico do cenário do mercado de ações dos anos oitenta nos Estados Unidos, um período importante na história norte-americana, que representava a nova mentalidade de toda uma geração; e segundo, claro, pela presença de Michael Douglas, cujo icônico personagem Gordon Gekko se tornou um símbolo desse mundo e, de quebra, rendeu ao ator o único Oscar de sua carreira como intérprete.Mais de vinte anos depois, Stone e Douglas decidiram retomar a parceria e revisitar o mundo de Gekko e dos especuladores financeiros. Agora, o antigo multimilionário acaba de sair da prisão, onde passou oito anos em função dos crimes cometidos na história do primeiro filme. Após escrever um livro e começar a dar palestras sobre o mercado de ações, ele novamente se torna modelo para um jovem emascensão. Desta vez, o pupilo é Jacob Moore, corretor com carreira promissora que, por sinal, está noivo da filha de Gekko. Enquanto começa a dar dicas ao rapaz, Gekko aproveita para tentar uma reaproximação com a sua filha, até que uma certa crise mundial acaba por interferir na vida e nos planos de todos.

De certa forma, Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps, 2010)é um espécime raro no cinema norte-americano: uma continuação feita com justificativa artística, e não somente financeira. O retorno de Oliver Stone e Michael Douglas à história certamente foi motivada pela possibilidade de visitar o assunto da crise imobiliária de 2008 nos EUA, que acabou refletindo na economia de todo o mundo. Assim, enquanto o primeiro filme mostrava a incessante busca pelariqueza dos anos oitenta, esta nova produção retrata as consequências de todos aqueles excessos, o que, em uma análise rápido, foi o ponto de partida para a quebra da economia norte-americana há dois anos. Era uma oportunidade muito boa para o sempre corajoso Stone retornar ao universo que ele transformou em documento histórico em 1987.

Desta vez, porém, Stone assume apenas o papel de diretor. Oroteiro de Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme é de Allan Loeb e Stephen Schiff, que realizam um bom trabalho ao demonstrar não somente a rápida mudança da sociedade nesses vinte anos (a primeira cena já faz isso ao destacar de forma cômica o imenso celular de Gekko quando foi preso) como também ao apresentar o seu protagonista como um homem diferente daquele do primeiro filme. Nesta sequência, opersonagem de Douglas surge não necessariamente como um homem arrependido do que fez, mas apenas com princípios diferentes, como se tivesse aprendido com os anos que passou na prisão, inclusive buscando a reconciliação familiar. É um desenvolvimento de personagem muito bem-vindo - não faria sentido Gekko ser a mesma pessoa de vinte anos atrás, principalmente depois do tempo passado na prisão.Claro que, com Gordon Gekko, nada é tão simples. Ainda que apresentem o personagem como um homem diferente, Stone e os roteiristas são hábeis ao manter a dúvida sobre a sua mudança: as intenções do antigo tubarão sempre parecem dúbias. E, neste sentido, quem brilha novamente é Michael Douglas. Completamente à vontade e com domínio total do papel, o ator consegue manter essa aura de ambiguidadesempre que entra em cena, fazendo de Gekko, mais uma vez, um personagem fascinante. Mais do que isso, a autoconfiança e o carisma que Douglas transmite ao personagem fazem com que Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme pareça ser dividido em dois filmes: um, interessantíssimo, quando Gekko está à frente da câmera e outro, enfadonho, quando isso não acontece.

E aí mora um dos problemas da produção:...
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