Fichamento habermas

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FICHAMENTO
 HABERMAS, Jünger. Técnica e ciência como ideologia. Tradução de Artur Mourão. Lisboa: Edições 70, 1968.


TÉCNICA E CIÊNCIA COMO IDEOLOGIA.
 
Habermas inicia o artigo apresentando os conceitos de racionalidade, racionalização e planificação para Max Weber: a  racionalidade: compreendida como “a forma da atividade econômica capitalista, do tráfego social regido pelodireito privado burguês e da dominação burocrática”.(p.45) Racionalização entendida como “a ampliação das esferas sociais, que ficam submetidas aos critérios da decisão racional” (p. 45). Planificação “uma ação racional dirigida a fins de segundo grau: visa a instauração, melhoria ou ampliação dos próprios sistemas de ação racional  dirigida a fins”.
 
(…) “o conceito de razãotécnica é talvez também em si mesmo ideologia. Não só na sua aplicação, mas já a própria técnica é dominação metódica, científica, calculada e calculante (sobre a natureza e sobre o homem). Determinados fins e interesses da dominação não são outorgados à técnica apenas ‘posteriormente’ e a partir de fora - inserem-se já na própria construção do aparelho técnico; a técnica é, em cada caso, um projetohistórico-social; nele se projeta o que uma sociedade e os interesses nela dominantes pensam fazer com os homens e com as coisas” (p. 47).
Prossegue, desenvolvendo que “o método científico, que levava sempre a uma dominação cada vez mais eficaz da natureza, proporcionou depois também os conceitos puros e os instrumentos para uma dominação cada vez mais eficiente do homem sobre os homens, atravésda dominação da natureza” (p. 49).


A «racionalizaçao» de Max Weber não é apenas um processo a Iongo prazo da modificação das estruturas sociais, mas também ao mesmo tempo «racionalização» no sentido de Freud: o verdadeiro motivo, a manutenção da dominação objetivamente caduca, é ocultado pela invocação dos imperativos tecnicos. (…) O conceito de que a racionalidade da ciência moderna é umaformação historica deve-se outros autores mas penas Marcuse transforma o conteúdo político da razão técnica em ponto de partida analítico para compreender a sociedade tardo-capitalista.”(p.49-50)
 
II
 
A teoria de Marcuse parte do pressuposto de que “no a priori material da ciência e da técnica se oculta um projeto de mundo determinado por interesses de classe e pelasituação histórica”. (p. 50)
“Em vez de se tratar a natureza como objeto de uma disposição possível, poderíamos considerá-la como o interlocutor de uma possível interação. Em vez da natureza explorada, podemos buscar a natureza fraternal” (p. 53).
Para Habermas essa concepção conservou um atrativo peculiar que é a idéia de que a natureza não pode ser libertada enquanto a comunicaçãodos homens entre si não estiver livre de dominação.
Habermas chama a atenção para o fato de que o projeto de uma natureza como interlocutor em vez de objeto refere-se a uma estrutura alternativa de ação: a interação simbolicamente mediada, que é diferente da ação racional teleológica.
Contudo, percebe que, em muitas passagens o próprio Marcuse parece duvidar da possibilidade derelativização da racionalidade da ciência e da técnica, reduzindo-as a mero projeto. Em alguns trechos o que se propõe é uma mudança do enquadramento institucional. Dessa forma, “manter-se-ia, pois, a estrutura do progresso técnico-científico, apenas se modificariam os valores regulativos” (p.54). Habermas cita uma passagem bem interessante da teoria de Marcuse, segundo a qual: “Enquanto universo demeios, a técnica pode tanto debilitar como aumentar o poder do homem. No estágio presente, o homem é talvez mais impotente do que nunca perante o seu próprio aparelho” (p. 54).
Para Habermas, Marcuse tem dificuldade em determinar de modo preciso o que significa a forma racional da ciência e da técnica e, por isso, a racionalidade manifestada nos sistemas de ação racional teleológica...
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