Familia e sociedade

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ATPS- Família e Sociedade.
Novos arranjos familiares.
Atualmente, a família é compreendida não apenas baseada nos laços consangüíneos e de parentesco, mas nas relações de afeto e cuidado. Szymanski (2002) entende família como sendo “uma associação de pessoas que escolhe conviver por razões afetivas e assume um compromisso de cuidado mútuo e, se houver, com crianças e adolescentes”, não levandoem conta para isto, a existência de laços consangüíneos ou de parentesco. Já Kaloustian (2005) retrata que a família é o espaço da garantia da proteção integral e da sobrevivência, independente do arranjo familiar em que se baseie, mas apesar de entender a importância do cuidado dentro da família, este autor não expõe que esta instituição também pode ser violadora de direitos e protagonista dosconflitos e violências para com os seus.
    Em contrapartida, Mioto (2000) discute que, na atual conjuntura, existem diversas formas de organização familiar que se modificam continuamente com o objetivo de satisfazer as necessidades impostas pela sociedade. Segundo esta autora, “o terreno sobre o qual a família se movimenta não é o da estabilidade, mas o do conflito, o da contradição” (2000, p.219). Ou seja, para ela a família pode ser o espaço do cuidado, mas não se pode esquecer ou deixar de lado que nas relações familiares também existem o conflito e a instabilidade, sejam eles influenciados pela sociedade ou não.
    Segundo Sarti (2007), a família vem sofrendo transformações desde a Revolução Industrial, que separou o mundo do trabalho do mundo familiar, instituindo a questão daprivacidade na família. Outros fatores determinantes para tais mudanças são o avanço tecnológico e as descobertas científicas no que tange, principalmente, a reprodução humana. A partir da década de 60, um fator vem para separar a sexualidade feminina da reprodução: a ascensão da pílula anticoncepcional. Esta, juntamente com o trabalho remunerado da mulher, acaba por inaugurar uma fase demodificações na família contemporânea. A década de 80 também traz novas transformações para a instituição familiar com as tecnologias de reprodução artificial, que dissociam a relação sexual da gravidez. Mais um fator apontado pela autora está relacionado aos testes de DNA, que vêm para comprovar a paternidade e reivindicar que o homem cumpra o seu papel de pai. Para Sarti, isto se tornou um recurso deproteção não só para a mulher, mas também para a criança. A autora supracitada relata ainda que a Constituição Federal de 1988 promoveu mudanças no que se refere a família, tais como:
1.     a quebra da chefia conjugal masculina, tornando a sociedade conjugal compartilhada em direitos e deveres pelo homem e pela mulher; 2. o fim da diferenciação entre filhos legítimos e ilegítimos, reiterada pelo Estatutoda Criança e do Adolescente (ECA), promulgado em 1990, que os define como ‘sujeitos de direitos’. Com o exame de DNA, que comprova a paternidade, qualquer criança nascida de uniões consensuais ou de casamentos legais pode ter garantidos seus direitos de filiação, por parte do pai e da mãe (SARTI, 2007, p.24).
    No que refere a estas modificações, Mioto (2002) expõe que vários estudos têmdemonstrado que ocorreram transformações na sociedade, principalmente no que tange ao trabalho, à economia, à lógica capitalista, à área tecnológica e à mudança de valores. E em decorrência destes fatos, as famílias têm se reorganizado e sofrido conseqüências, como por exemplo, o empobrecimento acelerado.
    Para Zamberlam (2001, p.83), “a família, como forma de os homens se organizarem para suasobrevivência, tem passado por mudanças que correspondem as mudanças da sociedade” e, tais modificações não representam um enfraquecimento da instituição familiar, mas sim o surgimento de novos arranjos familiares.
    Esta autora observa o quão difícil se tornou conceituar família e seus papeis, haja vista o elevado número de subsistemas e a pluralidade de arranjos com que nos deparamos...
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