Exxon valdez

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  • Publicado : 9 de maio de 2011
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Tradução: Argemiro Pertence

A história do ultimo derramamento de óleo catastrófico americano evoluiu no tempo para a frente num conto de causa e efeito: em 1989, um capitão bêbado levou seu petroleiro a encalhar no Alasca e a Exxon foi incapaz de evitar que o óleo se espalhasse ao longo de centenas de quilômetros de litoral virgem.

Porém, a história do desastre do Exxon Valdez é bem maiscomplexa e apresenta notáveis paralelos com os acontecimentos atuais no Golfo do México – inclusive o papel central desempenhado por um consórcio liderado pela British Petroleum – hoje conhecida como BP.

Uma comissão que investigou o vazamento no Alasca descobriu que as companhias aparam arestas para maximizar lucros. Sistemas preparados para evitar desastres falharam e não havia sistemassubstitutos disponíveis. Os órgãos reguladores estavam muito próximos da indústria do petróleo e lamentavelmente aprovaram respostas inadequadas para o acidente e planos de limpeza.

A história está se repetindo, dizem autoridades que investigaram o Valdez, porque as lições de duas décadas atrás permanecem ignoradas.

‘É desapontador”, disse Walt Parker, de 84 anos, presidente da Comissão doDerramamento de Óleo no Alasca, que fez dúzias de recomendações para evitar a recorrência. “É quase como se nós nunca tivéssemos feito o relatório”.

Especialistas em questões marinhas antecipam que os diferentes painéis que investigam a explosão da Deepwater Horizon – inclusive a comissão presidencial que começou a trabalhar esta semana em New Orleans – irão produzir relatórios com muitasdescobertas que poderiam cortadas e coladas do relatório de 20 anos atrás, escrito pela comissão de Parker ou outro grupo que estudou o acidente do Valdez. Eles também temem que essas descobertas não tenham mais impacto do que as conclusões sobre o Valdez tiveram.

No rescaldo do vazamento no Alasca, como no Golfo, houve uma confusão sobre quem estava no comando - as autoridades do governo ou asempresas de petróleo. As autoridades federais tentaram, eventualmente, assumir, mas faltava-lhes o equipamento e o pessoal para evitar prejuízos. Tempestades atrasaram a resposta e espalharam a contaminação. A tecnologia de limpeza era antiga e ineficiente. Os ambientalistas questionaram a toxidade dos dispersantes e perguntaram se as companhias de petróleo estavam usando produtos químicos para esconderos prejuízos.

O grande esforço de contenção no Alasca recuperou apenas uma fração dos milhões de litros de petróleo derramados no Estreito Prince William.

Os atores do drama do Alasca também nos parecem familiares. Embora a Exxon fosse a proprietária do petroleiro Valdez, ela não foi a responsável pelo defeituoso plano de resposta de emergência e não liderou os esforços iniciais decontenção. Essas tarefas ficaram a cargo da Alyeska Pipeline Service, um consórcio que opera o Sistema de Oleodutos Trans Alaska.

O sócio-controlador do consórcio era a British Petroleum. A British Petroleum também preencheu o cargo de executivo-chefe, o qual mais tarde se demitiu por causa das pressões. “A BP atraiu para si os tiros”, disse Tom Lakosh, um estudioso de derramamentos de petróleo.

AComissão do Alasca concluiu que a redução de custos pela Alyeska contribuiu para o desastre, da mesma forma como os críticos alegam que foi o foco da BP na lucratividade que contribuiu para o derramamento no golfo.

“Essencialmente, a liderança da British Petroleum dormiu ao lado dos controles”, concluiu o relatório da comissão.

O porta-voz da BP, Steve Rinehart, evitou discutir o papel daempresa na resposta no caso do Valdez, dizendo que a Alyeska é uma empresa independente que “trabalha para uma comissão dos proprietários”.

“Nós teremos na verdade muito pouco a dizer sobre o derramamento de óleo do Exxon Valdez”, disse Rinehart. “Em termos gerais, houve muitas lições aprendidas com o vazamento do Estreito Príncipe William e um deles foi o melhoramento no planejamento da...
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