Existiu o matriarcado?

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  • Publicado : 15 de novembro de 2012
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Existiu o matriarcado?
No século XIX, vários antropólogos e até um eminente teórico do socialismo moderno, acolhendo as idéias de Darwin, defenderam a existência num tempo remoto da humanidade do sistema do matriarcado, uma organização social inteiramente predominada por mulheres. Leia a seguir suas principais conclusões.

Uma Mãe de 25 Mil Anos
A cabeça dela era indefinível, uma bolaescamada, sem narinas, sem olhos, boca ou orelhas, mas os seus seios e o seu abdômen eram imensos, inflados, colossais. Tratava-se de uma pequena estátua (11,1 cm de altura) encontrada nas proximidades de Willendorf na Áustria, em 1908. Visivelmente era de uma mulher prestes a dar a luz, uma estatueta de uma futura mãe. Chamaram-na ironicamente de Vênus de Willendorf. Posteriormente, o pequeno objeto,submetido às perícias do carbono 14, um quase exato método científico que apura a idade dos achados, revelou que aquela senhora esculpida com as primitivas ferramentas de um Cellini do Paleolítico Superior datava de 24 ou 25.000 anos atrás! Não havia nela nem um só traço de beleza. Nenhuma exaltação à feminilidade ou à graça da mulher. Aquele que a modelou, talvez um xamã, um sacerdote-artista,viu-a apenas na sua função mais natural, a mais primitiva da mulher: gerar filhos. Terem-na cinzelado naquele estado pré-natal, sem nenhuma preocupação estética, segundo os antropólogos, revelava que a exclusiva preocupação daquela remotíssima sociedade, era com a reprodução da espécie. A estátua era um pleito às forças mágicas ou divinas. Desenharam-na redonda, em formas abundantes, porque esperavamque as mulheres dessem filhos e mais filhos à tribo. A mulher era a usina da vida, de cujo ventre saltavam os guerreiros e os caçadores do clã.

A Teoria do Matriarcado
Ter sido a de uma mulher, de uma mãe, a mais antiga estátua até então encontrada na Europa, quiçá no mundo todo, só fez por reforçar as teorias antropológicas do século XIX, que apontavam para a existência do matriarcado, como amais remota forma de organização social conhecida. O mais singular defensor dessa teoria, a Teoria do Matriarcado, foi o antropólogo suíço J. J. Banhofen, um admirador de Darwin. Desde que as idéias do grande naturalista tomaram corpo, com a difusão da Origem das Espécies, publicada por Charles Darwin em 1859, trataram todos de alinhar na história, na religião, na sociologia e na economia numaclassificação evolucionista. Como conseqüência disso, pensavam que tudo partia de formações mais toscas e simples para as mais avançadas e complexas, e, claro, mais civilizadas.
J. J. Banhofen (Mito, Religião e Direito Materno, 1861), aplicou tal linha progressiva na antropologia. Para ele, as sociedades humanas em seus primórdios eram seguramente sociedades matriarcais. As mulheres, assegurou,dominavam o mundo de então. E a razão disso era muito simples, devido à inerente promiscuidade sexual, que se supunha dominar o comportamento das comunidades primitivas, onde imperava um acasalamento circunstancial, imediato, sem regras ou compromissos estabelecidos, as mulheres, que tinham inúmeros parceiros, eram as únicas a poderem determinar com certeza de quem eram os filhos. Nesse sistema, oshomens eram apenas machos reprodutores que não mantinham nenhum vínculo afetivo ou responsável com os recém-nascidos. Para esses só existia a mãe. Ela era o centro e a razão do seu viver.
Segundo Banhofen, que recorreu largamente à literatura clássica, isso explicava não só existência e a persistência dos ofícios, dos louvares e da exaltação às deusas-mães existentes em todas as sociedades, comotambém à estrutura jurídica derivar da idéia da existência de um Mutterrechts, um Direito Materno, ao redor do qual tudo o mais se estruturou. A evolução da situação, de semipromiscuidade para uma posterior família monogâmica, ocorreu devido à vitória dos deuses masculinos que, progressivamente, foram deslocando os mitos e as celebrações das deusas-mães.

O Matriarcado e o Parentesco
Seguindo...
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