Exemplo de resenha

BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2006.

Jaqueline do Nascimento Lopes[1]

Teoria e prática são divergentes quando se fala em educação infantil? É realmente necessária uma rotina? Como elas surgiram e como chegaram àsinstituições de ensino e cuidado de crianças? Essas rotinas são significativas para as crianças e educadores ou são apenas aspectos burocráticos e controladores?
Essas indagações conduziram Maria Carmen Silveira Barbosa que possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1983), especialização em Alfabetização Em Classes Populares pelo Grupo de Estudos Em EducaçãoPesquisa e Ação (1984), especialização em Problemas do Desenvolvimento Infantil pelo Centro Lydia Coriat (1995), Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1987) e Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2000). Atualmente é Professora Adjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência na área de Educação. Atuando principalmente nosseguintes temas: educação infantil, Rotina, educação, escola, Planejamento, a escrever o livro: Por amor e por força: rotinas na educação infantil.
O panorama histórico da Educação Infantil no Brasil como um novo campo de estudos e pesquisas é quem dá início ao texto em si. A discussão começa a ser delineada a partir da idéia da pedagogia como ciência ou não, confrontando assim as diversaspedagogias que surgiram ao longo do tempo para a educação da criança. Mas para iniciar questionamentos sobre rotinas é importante primeiro saber quem são elas e como surgiram. É isso que Maria Carmen faz, ou seja, busca explicitar a raiz epistemológica da palavra rotina, e a “diferenciação” entre rotina e cotidiano, percebendo que a primeira faz parte dessa última de forma que a rotina é umaespécie de reprodução diária de hábitos criados culturalmente.
Entretanto, as rotinas não surgiram de repente e nem tampouco sem prévios acontecimentos antes de sua consolidação no campo educacional. Dessa forma, é que no terceiro capítulo do livro, a autora descreve a constituição social da rotina a qual proveio inicialmente do catecismo, depois se estendeu pela Idade Média em que as criançaseram vistas como selvagens e precisaria de disciplina, passando pelas idéias de Rousseau, pela Idade Contemporânea e as características religiosas em cada época. Dessa forma umas das vertentes das quais as rotinas desencadearam foi a religiosa. Além disso, as rotinas das fábricas e a idéia de a escola preparar para o mundo do trabalho influenciaram a fixação de rotinas nas escolas de EducaçãoInfantil. Maria Carmen expõe que as rotinas presentes nos hospitais também tiveram efeito no ambiente escolar.
A rotina é um importante eixo na Educação Infantil, entretanto muitos educadores a contemplam
apenas como um instrumento de controle, como algo sem dinamicidade, sem movimento, algo inflexível.
Neste livro, a autora discute de forma contextualizada por suas pesquisas e visitas eminstituições de ensino e cuidado de crianças no Brasil e no exterior, como a rotina é algo inflexível para funcionários e crianças que fazem tudo da mesma forma todos os dias, revelando que a rotina é percebida como um ato burocrático ou mais uma das tarefas da creche, incluindo dentro da rotina apenas os aspectos alimentícios, de saúde, de sono, entre outros.
As rotinas pedagógicas possuemelementos constitutivos. Dentre esses elementos chamo a atenção para a organização do ambiente. A autora faz uma diferenciação entre ambiente e espaços para um melhor entendimento do que foi discutido. O ambiente é um importante meio de aprendizagem, e a rotina como eixo central das atividades da Educação Infantil não poderia deixar de contemplá-lo entre seus efeitos. As rotinas influenciam na...
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